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Monday, 22 March 2010


When the candles are out, all women are fair.

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( Montaigne, Michel Eyquem De | Marriage )
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De Proverbio - Electronic Journal of International Proverb Studies. Proverbs, Quotations, Sayings, Wellerisms.
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APÊNDICE

1.  O uso de "mathal" / "amthal" no Alcorão

Neste tópico, apresentamos os usos que o Alcorão faz de mathal/amthal.

02, 017  Eles são semelhantes (mathaluhum kamathali) a quem é iluminado pelo fogo. Mas Allah lhes tira a luz e os deixa em trevas...

02, 171  Os incrédulos são como (mathalu... kamathali) gado que só percebe um chamado, um grito: são surdos...

02, 214  (Para entrar no Jardim) tereis de passar pelo mesmo (mathal) que passaram os que vos precederam...

02, 261  Aqueles que gastam sua fazenda por Allah são semelhantes (mathalu... kamathali) a um grão que produz sete espigas e cada uma cem grãos...

02, 264  Esse é semelhante (famathaluhu kamathali) a uma rocha coberta de terra. Vem o aguaceiro e a deixa nua...

02, 265  Aqueles que gastam sua fazenda pelo desejo de agradar a Allah... são semelhantes (mathalu... kamathali) a um jardim plantado em uma colina. Se cai sobre ele um aguaceiro dá fruto em dobro; se não cai, é aguado pelo orvalho...

03, 059  (Inna) Para Allah, Jesus é semelhante a Adão (mathala... kamathali)...

03, 117  (Os que não crêem...) O que gastam nesta vida é semelhante (mathalu... kamathali) a um vento glacial que destrói a colheita...

07, 176  (Aquele a quem em vão demos nossos sinais...) Com ele acontece algo de semelhante (famathaluhu kamathali) ao que acontece com o cão: que é hostil tanto se o atacas como se o deixas em paz. Isso mesmo fazem os que renegam nossos sinais.

07, 177  Que mau exemplo (mathalu) dão os que desprezam nossos sinais!

10, 024  A vida neste mundo é como (mathalu) água que fizemos descer do Céu. As plantas da terra empapam-se (...) mas a uma ordem nossa voltam a estar secas...

11, 024  Estes dois tipos são semelhantes (mathalu) a um cego e surdo comparado a um que vê e ouve. São similares (mathalan)?

13, 017  Tal como a espuma que se perde etc. Assim propõe Allah as comparações (al-amthal).

13, 035  Imagem do Jardim (Mathalu al-jannati) prometido: fluem arroios, tem frutos e sombra...

14, 018  As obras dos que não crêem são semelhantes (mathal) a cinzas açoitadas pelo vento em um dia de tormenta...

14, 024  Allah propôs figuradamente (mathalan) uma boa palavra semelhante a uma árvore boa, de raiz firme etc.

14, 025   Semelhante a uma árvore boa, de raiz firme etc.  Allah propõe os amthal aos homens. Talvez assim se deixem admoestar.

14, 045  Vos demos exemplos (al-amthal) (de castigo dos injustos)...

16, 060  Os que não crêem na outra vida representam (mathalu) o mal; para Allah, o Ideal supremo (Al-mathalu al-a'la).

16, 075  Allah propõe figuradamente (mathalan): um escravo incapaz etc. e um homem forte etc. Acaso são iguais?

16, 076  Allah propõe figuradamente (mathalan): dois homens, um mudo, incapaz etc. e outro justo, de via reta etc. Acaso são iguais?

16, 112-113  Allah propõe em parábolas (mathalan): E conta a história da cidade próspera que não agradecia a Allah. Não ouviram o enviado e sofreram um castigo etc.

17, 048  Olha a que te comparam (al-amthal)!

18, 032-043 Propõe-lhes a parábola (mathalan) dos dois homens e dos dois vinhedos...

18, 045  Propõe-lhes uma parábola (mathala) sobre a vida presente: é como água que fizemos descer do céu e a vegetação se empapa, mas depois se converte em erva seca...

22, 073  Ó homens, escutai este argumento (mathalun): "aqueles que invocais, em lugar de invocar a Allah, são incapazes de criar uma mosca, mesmo que jejuassem".

24, 035  A luz de Allah é comparável (mathalu) a uma lâmpada que tem um pavio aceso. O pavio está num recipiente de vidro etc. Assim propõe Allah as parábolas (al-amthal) aos homens.

25, 009  Olha a que te comparam (al-amthal)!

25, 033 (Os infiéis) Não te propõem nada figuradamente (bimathalin) que não demos Nós o verdadeiro sentido e a melhor interpretação.

29, 041  Os que se acolhem a amigos em vez de se acolher a Allah são como (mathalu... kamathali) a aranha que faz uma casa. E a casa mais frágil é a da aranha...

29, 043  (Os que se acolhem a amigos em vez de se acolher a Allah são como a aranha que faz uma casa. E a casa mais frágil é a da aranha...) Propomos estes amthal aos homens, mas não os compreendem senão os que sabem...

30, 027  Allah representa o Ideal supremo (Al-mathalu al-a'la).

36, 013 e ss. Propõe-lhes figuradamente (mathalan) {a longa parábola de três enviados a uma cidade impenitente...).

39, 029  Allah propõe figuradamente (mathalan): um homem que pertence a dois sócios em desacordo e outro que pertence só a um. São equiparáveis (mathalan)?

43, 008  Já tendes o exemplo (mathalu) (de castigo de morte)...

43, 017  (Atrevem-se) a equiparar (mathalan) a Deus...

43, 056  ...é posto como exemplo (mathalan) para...

43, 057  (Jesus) é posto como exemplo (mathalan) para...

43, 059  (Jesus) é posto como exemplo (mathalan) para os filhos de Israel...

47, 015  Imagem do Jardim (Mathalu al-jannati) prometido: fluem arroios, tem frutos e sombra...

57, 020  (A vida presente é enganosa e efêmera...) Tal como (kamathali) uma pancada de chuva que faz surgir a vegetação mas logo volta a secar...

59, 015  (Os hipócritas são) como (kamathali) os que os precederam...

59, 016  (Os hipócritas são) Como (kamathali) o Demônio quando diz ao homem: "Não creias!". E quando já não crê, diz: "Eu não sou responsável por ti. Eu temo a Allah..."

59, 021  Se tivéssemos feito descer este Qur`an sobre uma montanha, vê-la-ias fender-se e humilhar-se por temor a Allah. Propomos aos homens estes amthal.

62, 005  (Os que renegaram a Torah) são semelhantes (mathalu... kamathali) a um asno que carrega livros...

66, 010  Allah põe como exemplo (de castigo) (mathalan) a mulher de Noé e a mulher de Lot...

66, 011  ...e a mulher do Faraó

2.  Nota sobre a forma e a unidade da filosofia de Tomás

Tomás apresenta uma impressionante unidade de visão, quando contempla o mundo material. Para analisar a realidade material, ele parte das experiências dos fenômenos da unidade de cada ente e das mudanças substanciais, nas quais ocorre uma mudança de sujeito: uma coisa A deixa de ser o que é e passa a ser outra coisa, B.

Nesse caso, B não proveio do nada (mas, evidentemente, de A) e A não se reduziu ao nada (deixou de ser A e passou a ser B). Há, portanto, nesses casos de mudança de substância, algo que permanece e algo que muda (o que está a indicar que a substância é composta). O que permanece é a pura potencialidade de ser um ente físico (matéria prima), atualizada, em cada caso, por um fator determinante dessa potência que faz com que A seja A e B seja B: a forma substancial.

Retomando os clássicos conceitos de Aristóteles, Tomás afirma que a matéria é potência, enquanto a forma é o componente ato na constituição de um ente: é pela forma que um ente é o que é. A pedra é pedra porque tem forma de pedra; o homem é homem porque tem forma de homem: "Deve-se considerar que a natureza de algo é principalissimamente a forma segundo a qual se constitui a espécie da coisa. Ora, o homem é constituído em sua espécie pela alma racional" ([1]).

Assim, para Tomás, todo ente físico é composto de uma intrínseca união de matéria (a potência de ser ente físico) e forma (o ato que "atualiza" a matéria). E é tal sua unidade de consideração do cosmos, que emprega o mesmo binômio matéria/forma para indicar tanto a composição substancial de uma pedra quanto a de um homem. Alma, para Tomás, é simplesmente uma forma, a forma dos viventes. Uma forma muito especial (daí que também receba um nome especial), mas uma forma. Desse modo, pode-se falar em alma de um vegetal, em alma de uma formiga ou de um cão e em alma humana (no caso, uma alma espiritual).

A alma, como forma, é um princípio (ou melhor, um co-princípio, em intrínseca união com o outro princípio: a matéria) de composição substancial dos viventes. É pela alma que se constitui e se integra o vivente enquanto tal, e ela é também a fonte primeira de seu agir.

Contra todo dualismo que tende a separar exageradamente no homem a alma espiritual e a matéria, Tomás afirma a intrínseca união e mútua ordenação de ambos os princípios; contra o "espiritualismo" de Platão, Tomás conclui: "É evidente que o homem não é só a alma, mas um composto de alma e de corpo" ([2]).

Tomás aceita tão completamente o corpo como integrante essencial da realidade do ser humano, que esta união se projeta até na operação espiritual que é o conhecimento: "A alma necessita do corpo para conseguir o seu fim, na medida em que é pelo corpo que adquire a perfeição no conhecimento e na virtude" ([3]).

3.  Razão, Natureza e Medida ([4]).

Razão, natureza e medida são três conceitos importantes para uma melhor compreensão da moral de Tomás e da virtude da prudentia.

Ratio, razão, não deve aqui ser entendida como a razão do "racionalismo", nem sequer somente como a faculdade racional humana. Dentre os múltiplos significados da palavra latina ratio (que acompanha alguns dos sentidos do vocábulo grego logos), interessam-nos principalmente dois: um que aponta para algo intrínseco à realidade das coisas; e outro, para um peculiar relacionamento da razão humana com a realidade.

Ratio é derivado do verbo reor, contar, calcular ([5]). Ratio originalmente é conta; rationem reddere é prestar contas. Mas ratio significa também: razão, faculdade de calcular e de raciocinar; juízo, causa, porquê; essência ([6]); lista; título, caráter ([7]) etc.

Em filosofia, aparece como tradução de logos que, como ensina Pierre Chantraine ([8]), entre muitos outros significados: "acabou por designar a razão imanente", isto é: a estruturação interna de um ente, e este é o primeiro significado que nos interessa neste estudo sobre Tomás; o segundo é a capacidade intelectual humana de abrir-se à ratio das coisas e captá-la ([9]).

No âmbito da fé, não é por acaso, portanto, que S. João emprega, em seu Evangelho, o vocábulo grego Logos (razão, palavra) para designar a segunda Pessoa da Ssma. Trindade que "se fez carne" em Jesus Cristo: o Logos não só é imagem do Pai, mas também princípio da Criação (cfr. Apo 3, 14), o responsável pela articulação intelectual das coisas. Pois a Criação deve ser entendida também como essa "estruturação por dentro": projeto, design das formas da realidade, feito por Deus através do Verbo, Logos. E em seu Comentário ao Evangelho de João, Tomás chega a discutir a questão da conveniência de traduzir Logos por Ratio em vez de Verbum. Esta última forma parece-lhe melhor, pois se ambas indicam pensamento, Verbum enfatiza a "materialização" do pensamento (em criação/palavra) ([10]).

Assim, para Tomás, a criação é também "fala" de Deus: as coisas criadas são pensadas e "proferidas" por Deus ([11]): daí decorre a possibilidade de conhecimento do ente pela inteligência humana ([12]).

É nesse sentido que a Revelação Cristã fala da "Criação pelo Verbo"; e a Teologia - na feliz formulação do teólogo alemão Romano Guardini - afirma o "caráter verbal" (Wortcharakter) de todas as coisas criadas.

Próximo do conceito de razão está o de natureza. Se ratio acentua o caráter de pensamento, estruturação racional do ser, natureza indica o ser enquanto princípio de operações (falar, pensar, amar, germinar, digerir, latir, etc.).

Não por acaso, natureza deriva de natus, do verbo nascer (nascor). Se agimos como homens é porque nascemos homens e não ratos. Natureza humana é, assim, o ser que o homem recebe de nascença.

A "natureza", especialmente no caso da natureza humana, não é entendida por Tomás como algo rígido, como uma camisa de força metafísica, mas como um projeto vivo, um impulso ontológico inicial (ou melhor, "principial"), um "lançamento no ser", cujas diretrizes fundamentais são dadas precisamente pelo ato criador que, no entanto, tem de ser completado pelo agir livre e responsável do homem.

Esse caminho moral é percorrido, exercendo a liberdade de praticar o bem e, assim, realizando sua própria natureza. Mas, o bem remete à verdade: à ratio da realidade que a razão prudente capta, propondo à vontade, sua realização.

Resta falar algo sobre o conceito de medida em Tomás.

Embora quantidade e qualidade sejam categorias distintas, a linguagem atesta uma certa permeabilidade entre o quantitativo e o qualitativo.

Na filosofia de Tomás, encontramos um uso qualitativo da palavra mensura. "Medida" como conceito ontológico - ensina Pieper -, significa algo qualitativo, algo que pertence ao âmbito da forma substancial. Além disso, encerra uma espécie de causalidade". Essa causalidade é a causalidade formal externa, a do modelo, a do projeto, prévia, primeira, da qual o objeto produzido de acordo com o projeto é algo segundo, segundo o projeto.

Assim, a forma na coisa é somente causa formal interna (daí que Tomás fale de imitatio), segundo, de acordo com a causa formal externa.

4. Trinta sentenças de Tomás ([13]).

1. A razão reproduz a natureza.

Ratio imitatur naturam (I,60,5).

2. A causa e a raiz do bem humano é a razão.

Causa et radix humani boni est ratio (I-II,66,1).

3. "Natureza" procede de nascer.

Natura a nascendo est dictum et sumptum (III,2,1).

4. A palavra natureza se impôs primeiramente para significar a geração dos seres vivos, que se chama nascimento. E como tal geração provém de um princípio intrínseco, estendeu-se o uso da palavra para significar princípio intrínseco de qualquer mudança. Sendo tal princípio formal ou material, tanto a matéria quanto a forma são comumente chamadas natureza. Mas como é pela forma que se perfaz a essência de uma coisa qualquer, a essência, que é expressa na definição, é comumente chamada natureza.

Nomen naturae primo impositum est ad significandam generationem viventium, quae dicitur nativitas. Et quia huiusmodi generatio est a principio intrinseco, extensum est hoc nomen ad significandum principium intrinsecum cuiuscumque motus. Et quia huiusmodi principium est formale vel materiale, communiter tam materia quam forma dicitur natura. Et quia per formam completur essentia uniuscuiusque rei, communiter essentia uniuscuiusque rei, quam significat eius definitio, vocatur natura (I,29,2 ad 4).

5. A reta ordem das coisas coincide com a ordem da natureza; pois as coisas naturais se ordenam a seu fim sem qualquer desvio.

Rectus ordo rerum convenit cum ordine naturae; nam res naturales ordinantur in suum finem absque errore (CG 3,26).

6. O intelecto é naturalmente apto a entender tudo o que há na natureza das coisas.

Intellectus... natus est omnia quae sunt in rerum natura intelligere (CG 3,59).

7. Os princípios da razão são os mesmos que estruturam a natureza.

Principia... rationis sunt ea quae sunt secundum naturam (II-II,154,12).

8. O primeiro princípio de todas as ações humanas é a razão e quaisquer outros princípios que se encontrem para as ações humanas obedecem, de algum modo, à razão.

Omnium humanorum operum principium primum ratio est, et quaecumque alia principia humanorum operum inveniantur, quodammodo rationi obediunt (I-II,58,2).

9. Aquilo que é segundo a ordem da razão quadra naturalmente ao homem.

Hoc... quod est secundum rationem ordinem est naturaliter conveniens homini (II-II,145,3).

10. A razão é a natureza do homem. Daí que tudo o que é contra a razão é contra a natureza do homem.

Ratio hominis est natura, unde quidquid est contra rationem, est contra hominis naturam (Mal. 14,2 ad 8).

11. A vontade não tem caráter de regra suprema, mas é uma regra que recebe sua retidão e orientação da razão.

Voluntas... non habet rationem primae regulae, sed est regula recta; dirigitur enim per rationem (Ver. 23,6).

12. O bem do homem enquanto homem está em que a razão seja perfeita no conhecimento da verdade e em que os apetites inferiores se regulem pela regra da razão. Pois, se o homem é homem, é por ser racional.

Bonum hominis, inquantum est homo, est: ut ratio sit perfecta in cognitione veritatis et inferiores appetitus regulentur secundum regulam rationis. Nam homo habet, quod sit homo, per hoc, quod sit rationalis (Virt. comm., 9).

13. Tudo o que é imperfeito tende à perfeição.

Omne autem imperfectum tendit in perfectionem (I-II,16,4).

14. A ordem se encontra primariamente nas próprias coisas e delas é que passa para nosso conhecimento.

Ordo autem principalius invenitur in ipsis rebus et ex eis derivatur ad cognitionem nostram (II-II,26,1 ad 2).

15. As próprias coisas são causa e medida de nosso conhecimento.

Ipsae res sunt causa et mensura scientiae nostrae (Pot. 7,10 ad 5).

16. A verdade do intelecto humano tem sua regra e medida na essência da coisa. Uma opinião é verdadeira ou falsa de acordo com o que a coisa é ou não é.

Veritas intellectus humani regulatur et mensuratur ab essentia rei; ex eo enim quod res est vel non est, opinio est vera vel falsa (Spe I ad 7).

17. O intelecto humano recebe sua medida das coisas, de tal modo que um conceito do homem não é verdadeiro por si mesmo, mas se diz verdadeiro pela consonância com a realidade.

Intellectus humanus est mensuratus a rebus: ut scilicet conceptus hominis non sit verus propter seipsum; sed dicitur verus ex hoc quod consonat rebus (I-II,93,1 ad 3).

18. (Qualquer criatura...) Por ter uma certa forma e espécie representa o Verbo, porque a obra procede da concepção de quem a projetou.

(Quaelibet creatura... secundum quod) habet quamdam formam et speciem, repraesentat Verbum: secundum quod forma artificiati est ex conceptione artificis (I,45,8).

19. O conhecimento de Deus é a medida das coisas: não quantitativa, mas porque mede a essência e a verdade da coisa. Pois uma coisa tanto tem de verdade em sua natureza, quanto reproduz o conhecimento de Deus; do mesmo modo que um objeto artificial em relação a seu projeto.

Scientia Dei est mensura rerum: non quantitativa (...) sed quia mensurat essentiam et veritatem rei. Unumquodque enim intantum habet de veritate suae naturae, inquantum imitatur Dei scientiam: sicut artificiatum, inquantum concordat arti (I,14,12 ad 3).

20. Diz Avicena que "a verdade de uma coisa é a característica própria do ser que lhe foi estabelecida" ... enquanto segue a razão própria que dela existe na mente divina.

Dicit Avicenna quod "veritas rei est proprietas esse uniuscuiusque rei quod stabilitum est ei"... inquantum propriam sui rationem quae est in mente divina, imitatur (CG I,60).

21. Deve-se considerar que a natureza de algo é principalissimamente a forma segundo a qual se constitui a espécie da coisa. Ora, o homem é constituído em sua espécie pela alma racional. Daí que aquilo que é contra a ordem da razão seja propriamente contra a natureza do homem enquanto tal.

Considerandum est quod natura uniuscuiusque rei potissime est forma, secundum quam res speciem sortitur. Homo autem in specie constituitur per animam rationalem. Et ideo id quod est contra ordinem rationis, proprie est contra naturam hominis, inquantum est homo (I-II,71,2).

22. Para cada ente, bom é aquilo que é adequado à sua forma; mau, o que fica fora da ordem de sua forma.

Unicuique ... rei est bonum, quod convenit ei secundum suam formam; et malum, quod est ei praeter ordinem suae formae (I-II,18,5).

23. Diferem a apreensão dos sentidos e a do intelecto: ao sentido, compete apreender este colorido; ao intelecto, a própria natureza da cor.

Et sic differt aprehensio sensus et intellectus; nam sensus est apprehendere hoc coloratum, intellectus autem ipsam naturam coloris (Ver. 25,1).

24. A plenitude de toda a natureza corporal depende, de certo modo, da plenitude do homem.

Ex consummatione igitur hominis consummatio totius naturae corporalis quodammodo dependet (Comp. Theol. I,148).

25. O moral pressupõe o natural.

Naturalia praesupponuntur moralibus (Corr. Frat. I ad 5).

26. A graça não suprime a natureza, aperfeiçoa-a.

(Cum enim) gratia non tollat naturam , sed perficiat (I,8,1 ad 2).

27. A consciência é chamada de lei do nosso intelecto porque é o juízo da razão deduzido da lei natural.

Conscientia dicitur esse intellectus nostri lex, quia est iudicium rationis ex lege naturali deductum (Ver. 17,1 ad 1).

28. É da essência da virtude que ela vise ao máximo.

Ad rationem virtutis pertinet, ut respiciat ultimum (II-II,123,4).

29. O pecado contraria a inclinação natural.

Peccatum est contra naturalem inclinationem (I,63,9).

30. Tudo que vá contra a razão é pecado.

Omne quod est contra rationem... vitiosum est (II-II,168,4).

5. A proposta pedagógica de Tomás de Aquino no De modo studendi

A dimensão moral da educação mostra-se - breve e claramente - num texto de Tomás, que apresentamos e comentamos a seguir: o De modo studendi.

O De modo studendi ([14]) é uma carta de autoria de Tomás de Aquino ([15]), aconselhando sobre o modo de estudar. O destinatário é um tal "irmão João", um dominicano jovem, iniciando seus estudos, e afoito por mergulhar no "oceano da sabedoria", resolveu escrever ao mestre consumado, perguntando sobre atalhos.

Tomás, que - no Comentário à Ética de Aristóteles - afirma ser o tempo o grande colaborador (bonus cooperator), começa por responder ao impaciente Frei João que não há atalhos, mas caminhos: pelos riachos é que se chega ao mar e o "difícil deve ser atingido a partir do fácil" (DMS, intr.).

Há, no que se refere à vida intelectual, uma ordo, uma dinâmica própria do conhecimento, daí que o Aquinate compare o sábio ao arquiteto. Certamente, essa ordo exige uma ordenação do próprio objeto de estudo: do mais fácil para o mais difícil; do riacho para o alto mar. Mas a aquisição do tesouro do saber exigirá também uma ordenação interior do sujeito que estuda. A essa ordo interius referem-se os conselhos do De modo studendi. Afinal, o conhecimento da realidade é, para Tomás, o objetivo da educação, e mais, a própria realização do homem.

Assim, o De modo studendi é um espelho em que se reflete uma concepção de educação totalmente diferente da que prevalece em nosso tempo. Se um grande educador de hoje fosse consultado sobre "o modo de estudar" ou sobre como "adquirir conhecimentos", certamente sua reposta dirigir-se-ia a questões técnicas, programático-curriculares, motivacionais...: o conhecimento é, para nós, compartimentado, separado da existência. Já Tomás, que pensa no saber como algo integrado à existência, ante as mesmas perguntas, aconselha "sobre como deve ser tua vida" (DMS, intr.).

Se o objetivo da escola, hoje, é formar o bom profissional, ou, quando muito, "educar para a cidadania" ou formar para uma análise crítica do mundo; os conselhos de Tomás, no século XIII, incidem sobre a própria estrutura nuclear íntima do ser humano.

Se a sabedoria não pressupõe só uma dimensão intelectual, mas está integrada ao todo da existência, não é de estranhar, que, dentre os conselhos dados por Tomás sobre o modo de estudar, encontremos a exortação ao silêncio, à vida de oração, à amabilidade, à humildade, à pureza de consciência, à santidade...

Nesse sentido, deve-se observar também que o alcance semântico da própria palavra studium em latim é muito mais abrangente do que a nossa estudo. Studium significa amor, afeição, devotamento, a atitude de quem se aplica a algo porque ama e, não por acaso, esse vocábulo acabou especializando-se em dedicação aos estudos. Assim, o próprio título do opúsculo de Tomás Sobre o modo de estudar, sugere algo assim como: Sobre o modo de aplicar-se amorosamente...

E, na verdade, o que Tomás propõe - como pressuposto dessa abertura para a realidade - é nada menos do que ascese de relacionamento do homem com Deus (cfr. p. ex. DMS, 3), com os outros (cfr. p. ex. DMS, 5) e consigo mesmo (cfr. p. ex. DMS, 12).

Na visão compartimentada do conhecimento que temos hoje, esperamos que nosso aluno demonstre teoremas, calcule empuxos, balanceie equações químicas, escreva redações sugestivas e conjugue corretamente os verbos; o que ele é enquanto homem, isto é lá com ele... Já para Tomás, como se vê no De modo studendi, alguém dedicado ao estudo deve, antes de mais nada, cuidar das atitudes da alma.

Talvez não haja nada mais oposto ao espírito de nosso tempo do que os conselhos de Tomás que recomendam o cultivo do silêncio. E, no entanto, trata-se - como explica, a seguir, Josef Pieper ([16])- de uma das regras fundamentais da vida intelectual e da vida do espírito, desde que entendamos o mundo como mathal.

"Só quem cala ouve. Se alguém me perguntasse pelas regras fundamentais da vida intelectual e da vida espiritual, antes de mais nada dar-lhe-ia essa frase para meditar.

À primeira vista, é um lugar-comum: é óbvio que não se pode simultaneamente falar e ouvir o que diz outra pessoa.

No entanto, essa sentença vai além do âmbito meramente "acústico". Trata-se de algo mais do que simplesmente calar a boca: também no relacionamento normal com os homens exige-se um Silêncio mais profundo - caso deva a palavra do outro verdadeiramente alcançar-nos; mais ainda, caso deva atingir-nos o coração o grito de socorro talvez completamente mudo de uma pessoa. Já para isso vale o dito antigo: "Calar e ouvir é o mais pesado dos trabalhos".

Mas esse pensamento chega ainda mais perto da existência: aponta como que para um nível mais profundo. Pois a palavra "entendimento" deriva de "entender" ([17]). Por "entender" (ouvir) se abrangem todas as formas de captar a realidade: ouvir tanto quanto ver, e toda espécie de compreensão e intuição.

Tudo isto - é o que afirma a frase: "Só quem cala, ouve" - só se realiza sob a condição de calarmos; também (e especialmente) quando se está "a sós, consigo mesmo, num quarto" e nenhuma palavra de um parceiro humano nos reclama a atenção.

Este Silêncio que aqui nos é exigido não é, de fato, algo fácil de ser descrito; sobretudo seu contrário, o "não-silêncio", tem muitas faces.

Pois a receptividade da atenção que cala pode ser sufocada pela passividade (atitude de indiferença, "tanto-se-me-dá") ou pela suficiência (de quem acha que já sabe tudo: querer "ensinar o Pai-nosso ao vigário"), suficiência que corta a palavra à linguagem das coisas; mas também, por exemplo, por deixar entrar para dentro de si mesmo a barulheira da rua e do mercado, a ruidosa manchete do dia, o ressoar visual de vistosas baboseiras. Tudo isso é onipresente e, como todos sabem, disponível a rodo para qualquer um que busque "novidades".

O surdo fruto de tudo isto - em segredo talvez desejado - é que o homem se impede de ouvir. Mas se o que realmente importa para o homem é poder ouvir!

Há um calar de ânimo cerrado, com os lábios crispados; e há também um silêncio morto. Mas, por natureza, não deve o homem dirigir seu calar para um mundo igualmente sem palavras: não, as coisas não são - como pretende um terrível dito filosófico - mudas.

E a atitude de um silêncio vazio, conscientemente voltado contra qualquer objeto (...), deve permanecer sempre estranha para quem quer que compreenda o mundo como Criação. Criação que se originou da Palavra que era no princípio, e que apresenta uma mensagem de mil vozes àquele que ouve calando. Mensagem cuja percepção traz em si a verdadeira riqueza do homem.

Apresentamos, a seguir, os conselhos - muitos deles em forma proverbial - de Tomás no De modo studendi.

Já que me pediste, frei João - irmão, para mim, caríssimo em Cristo -, que te indicasse o modo como se deve proceder para ir adquirindo o tesouro do conhecimento, devo dar-te a seguinte indicação: deves optar pelos riachos e não por entrar imediatamente no mar, pois o difícil deve ser atingido a partir do fácil. E, assim, eis o que te aconselho sobre como deve ser tua vida:

1. Exorto-te a ser tardo para falar e lento para ir ao locutório.

2. Abraça a pureza de consciência.

3. Não deixes de aplicar-te à oração.

4. Ama freqüentar tua cela, se queres ser conduzido à adega do vinho da sabedoria.

5. Mostra-te amável com todos, ou, pelo menos, esforça-te nesse sentido; mas, com ninguém permitas excesso de familiaridades, pois a excessiva familiaridade produz o desprezo e suscita ocasiões de atraso no estudo.

6. Não te metas em questões e ditos mundanos.

7. Evita, sobretudo, a dispersão intelectual.

8. Não descuides do seguimento do exemplo dos homens santos e honrados.

9. Não atentes a quem disse, mas ao que é dito com razão e isto, confia-o à memória.

10. Faz por entender o que lês e por certificar-te do que for duvidoso.

11. Esforça-te por abastecer o depósito de tua mente, como quem anseia por encher o máximo possível um cântaro.

12. Não busques o que está acima de teu alcance.

13. Segue as pegadas daquele santo Domingos que, enquanto teve vida, produziu folhas, flores e frutos na vinha do Senhor dos exércitos.

Se seguires estes conselhos, poderás atingir o que queres.

6. A filosofia de Tomás como metafísica do concreto: o actus essendi

Os resultados da pesquisa de Busa não chegam a surpreender (muito pelo contrário) a quem conhece a doutrina do actus essendi do Aquinate. Como dissemos alhures ([18]):

Com menos de trinta anos, Tomás realiza uma descoberta revolucionária baseada na distinção aristotélica entre potência e ato: a do ato de ser. Será esta noção que lhe permitirá superar o aparente antagonismo entre espírito e matéria que dominava o seu tempo e que lhe permitirá ser, com setecentos anos de antecedência, "o mais existencialista de todos os filósofos" ([19]).

O fato de uma coisa ser, isto é, exercer o ser em ato, de ter ato de ser, é algo único e absolutamente decisivo, mais importante que o conteúdo, a riqueza de ser, o grau de perfeição que essa coisa possa apresentar. "O ser é aquilo que há de mais íntimo em cada coisa, e o que mais profundamente está inserido em todos os entes" ([20]).

E o que significa ser? Ser é, antes de mais nada, atividade, ato. Todas as coisas, todos os entes, são antes de mais nada "aqueles que exercem o ato de ser", fato que já a própria linguagem comum recolhe: se o presidente é aquele que exerce a atividade de presidir, o gerente a de gerir, o caminhante a de caminhar, o ente exerce a de ser. Mas justamente por constituir a primeira atividade, a mais fundamental - e "a mais maravilhosa", dirá Gilson, um dos grandes filósofos modernos inspirados em Tomás -, o ser escapa a qualquer definição: "O ato de ser não pode ser definido" ([21]). Não podemos captá-lo pela inteligência e transformá-lo num conceito, como o fazemos com a essência de qualquer coisa, porque é anterior a qualquer idéia: se eu não sou, não posso pensar. O ser é, e sempre será, um mistério que o homem não pode esgotar.

Santo Tomás, portanto, praticamente por humildade, não parte das essências, mas das coisas, dos entes. Aceita em primeiro lugar o testemunho dos sentidos: pão é pão; queijo é queijo; ente é ente.

Ao afirmar a composição essência/ato de ser, Tomás não considera o ser como algo justaposto, acrescentado a uma essência ideal, como se a mangueira real fosse igual à mangueira ideal, só que "além do mais" existindo. Não, Tomás, com essa composição, não parte da essência como algo separado ao qual se agrega o ser; o ato de ser é que é o ponto de partida, o elemento mais fundamental de todos os entes.

Tomás volta-se, portanto, para este ente concreto que exerce antes e acima de tudo uma atividade "nuclear" fundamental: ser! E a essência, neste contexto é a medida (no sentido clássico de mensura, mais formal do que quantitativo) da recepção do ato de ser. Uma comparação pode ajudar-nos a entender isto: nos sons realmente emitidos por um flautista ([22]), podemos distinguir o ato de soar ([23]) e, por assim dizer, o toar, a nota musical ([24]): soar e soar como dó, ré, mi, fá, sol, lá bemol, etc. Na verdade, o soar e o toar estão em intrínseca união: cada som emitido pelo instrumento vem unido a uma determinada freqüência que o define como tal nota, e, inversamente, cada nota realmente emitida soa ([25]).

Ora, também a essência, longe de ser uma realidade isolada à qual se justaporia o existir, é entendida por Tomás como intrinsecamente unida ao ente real e concreto: como de-finição, de-limitação, de-terminação, isto é estabelecendo os limites, o fim, o término, da recepção do ato de ser por este ente concreto. Assim como o dó, o si bemol e o sol se caracterizam como tais por receberem o seu soar em tais e tais medidas (no caso, em sentido quantitativo), este ente tem uma essência: é pedra, árvore, cão ou homem por receber o actus essendi em tal e tal forma, em tal medida (no caso, em sentido qualitativo, mais amplo que o quantitativo) ([26]).

"O ser é a atualidade de toda forma e de todo princípio de operações: só se podem dar em ato bondade ou humanidade enquanto se dá o ser. Daí que necessariamente o ser esteja para a essência como o ato para a potência" ([27]).

7. Nota sobre a prudência e os amthal na tradição bíblica

Ao longo deste tópico, recolheremos algumas poucas observações de um erudito estudo de Spicq sobre o tema ([28]).

Após advertir que boa parte do que os ocidentais chamam de prudência é, na Bíblia, designado por Hakimah (sabedoria, sofía), Spicq observa que não há em hebraico uma palavra própria, de uso constante, para designar essa virtude: "Cette absence de terme précis est significative, mais elle tient en partie a la pauvreté du vocabulaire hébraïque et à son incapacité relative d'exprimer les notions abstraites" (p.187).

No entanto, a Bíblia expressa diversos elementos integrantes da prudência, por meio de raízes cujo sentido original está em torno de: "pesar", "examinar atentamente", "discernir"... (pp. 188-189).

A "prudência" bíblica, prossegue Spicq, nunca é especulativa, mas volta-se sempre para o agir: para o bem viver e para a moral; os mandamentos divinos, aplicados à ação (p.189). E os jovens devem ser educados nessa sabedoria prática: "La sagesse pratique ou prudence n'est donc pas innée; elle se transmet, du moins en partie, par la tradition, surtout chez les jeunes gens et les ingénus" (p.192).

Assim, sendo a prudência obra da razão (da razão que discerne e dirige), um de seus atos mais autênticos será o de conhecer "O coração prudente busca o conhecimento" (Pro XV, 14), em oposição aos loucos, insensatos e néscios ([29]) (p.193). Desse modo, Spicq pode fundamentar (p. 190) o relacionamento entre prudência e provérbios no Velho Testamento: "Si l'on trouve sans cesse chez les prophètes des appels de ce genre: `prêtez l'oreille... écoutez et comprenez', il n'y a pas lieu de s'étonner qui soit exalté, dans la littérature sapientielle et les exhortations proprement morales, le rôle de la connaissance et de la raison dans la vie du juste. Rien n'est plus significatif à cet égard que les équivalences redondantes de Pro I:

Proverbes de Salomon, fils de David, roi d'Israel,

pour connaitre la sagesse et l'instruction,

pour instruire des paroles de prudence,

pour acquérir une instruction raisonnée

de la justice, de l'équité et de la droiture;

pour donner aux simples d'être avisés,

au jeune homme la connaissance et la reflexion.

Que le sage écoute et il gagnera en doctrine

le prudent recevra des conseils de prudence.

Il comprendra les proverbes et des sens mystérieux,

les paroles des sages et leurs enigmes.

La crainte de  Iahvé est le principe de la science (morale);

Les insensés méprisent la sagesse et l'instruction".

E, entre as conclusões de suas análises, encontramos: "Si les écrivains de l'A. T. n'ont aucunement cherché à définir la nature de la prudence et à l'inscrire dans un catalogue des vertus, il est hors de doute que le rôle qu'on lui assigne correspond à celui fixé par Aristote et qu'adoptera définitivement l'École: recta ratio agibilium" (p. 209).

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STEINBERG, Martha "Provérbios e tradução". TradTerm São Paulo, FFLCHUSP, n. 2, 1995.

ÍNDICE DOS PROVÉRBIOS ÁRABES CITADOS NESTE TRABALHO

(por ordem de ocorrência)

(#1) Os maiores mentirosos são o jovem emigrado e o velho cujos contemporâneos morreram.

(#2) (É muito mais fácil que se necessite como ingrediente) o alho na knafah do que o amor entre uma maronita e um rumm.

(#3) Ma qal al-mathal shay min kadhab ("Os provérbios nunca mentem...").

(#4) O camelo tem uma opinião; o cameleiro, outra.

(#5) Quando vi a miragem, joguei fora minha água; agora, não tenho água, nem miragem

(#6) Bate no cão, tua noiva compreenderá...

(#7) Cão do grande, grande e cão do príncipe, príncipe.

(#8) A cadeia (é) para os homens; o chorar, para as mulheres.

(#9) Opressão do gato e não justiça do rato.

(#10) Al-jar qabla ad-dar ("É mais importante o vizinho do que a moradia").

(#11) Ar-rafyq qabla at-taryq ("É mais importante o companheiro do que a viagem").

(#12) A vasilha não pode ir sempre ao fundo do poço e sair sempre inteira.

(#13) Ó Senhor, concede-nos sempre o convívio dos poderosos, mas mantém-nos incólumes...

(#14) Se a vinha estivesse protegida de seus próprios guardas, produziria toneladas.

(#15) Sem defeito, garantido pelo ferreiro!

(#16) O que começa por definição de condições, acaba em paz.

(#17) Aquele que se glorifica a si mesmo te enviou saudações.

(#18) Mil batidas na porta antes do salam (antes de atender e cumprimentar).

(#19) Desde o bater à porta até à despedida.

(#20) Nem sequer um Ôi!

(#21) A segurança de um homem está em conter sua língua.

(#22) Quem te confia seu dinheiro, confia-te sua própria pessoa.

(#23) O vento, ele deixa por conta da tempestade e dorme tranqüilo.

(#24) Aperte-lhe a mão, mas confira os dedos depois.

(#25) Tendo saúde, está tudo bem!

(#26) Escapou do urso para cair no fosso.

(#27) Abandona-te em Deus e encontrarás a salvação.

(#28) 'alim bila 'amil mithl al-gaym bila matar ("Sábio que não age (que não `produz', que não ensina) é como nuvem sem chuva").

(#29) Pai dele, alho; mãe, cebola. Como pode ele cheirar bem?.

(#30) Al-qurd b'ayn ummuhu gazal ("O macaco, aos olhos de sua mãe, é uma gazela").

(#31) Interminável como o Ramadã.

(#32) É no comer que se mostra a afeição (pelo anfitrião).

(#33) "Quem viveu, morreu" ("Man 'asha mat").

(#34) "Quem morreu, findou" ("Man mata fat")

(#35) Quem compra o que não precisa, acaba vendendo o que precisa...

(#36) Quando dois ladrões divergem, aparece a coisa roubada.

(#37) Case seu filho quando quiser; case sua filha quando puder...

(#38) Quem dará vida aos ossos estando podres?

(#38a) "O cão que ofega tanto se o atacas como se o deixas em paz".

(#38b) "casa de aranha".

(#38c) "gado de um só grito".

(#38d) "asno que carrega livros".

(#39) É como pedir ao camelo para tocar flauta.

(#40) Não tendo achado nenhum defeito na rosa, apelidaram-na de "bochecha vermelha".

(#41) O camelo riu uma vez na vida e rasgou os lábios para sempre...

(#42) Ele procura mel no traseiro da vespa.

(#43) Barulho no tacho, só dos ossos.

(#44) Al-insan m'árrad lin-nissyan ("O ser humano está exposto ao esquecimento").

(#45) Guardo-me de fazer com as mãos o nó que deverei desfazer com os dentes.

(#46) Come-se grão a grão o que se expele aos blocos.

(#47) O chacal engoliu a foice; ouçam seus uivos depois para expeli-la.

(#48) Eu te conheço, alfarroba...!

(#49) "Eu não tenho medo do alif, mas do que vem depois!".

(#50) Dê seu pão ao padeiro, mesmo que ele coma a metade...

(#51) Por que estranhas que venha na concha o que tu mesmo colocaste no pote?

(#52) Lobo e cordeiro, gato e rato, falcão e pintada, corvo e corujão.

(#53) Rio sem água, território sem rei, mulher sem marido.

(#54) Wa ma sumya al-insan insanan illa linissyanihi ("O ser humano (Insan= ser humano ou esquecedor) não foi chamado de esquecedor, senão por causa de seu esquecimento").

(#55) É como a peregrinação a Meca: quem diz que é fácil, blasfema; quem diz que é trabalhosa, blasfema.

(#56) Vender e arrepender-se é melhor do que não vender e se arrepender.

(#57) - Sim, meu príncipe, era mesmo um pombo, só que agora já voou...

(#58) Como dançar diante de um cego.

(#59) Como ir se queixar para a madrasta.

(#60) Como catar as pulgas de um cão.

(#61) Como um lampião ao meio-dia.

(#62) Tu me vendeste cebola estragada; a moeda que eu te dei era falsa.

(#63) O besouro casou: desposou a rã.

(#64) Ele (é) óleo.

(#65) - Há quanto tempo...!  - Claro, você não vai à mesquita, e eu não vou ao cabaré...

(#66) -Ôpa! Não é porque eu disse `Enterre-me' que você vai pegar a pá.

(#67) -Ôpa! Tá certo que dissemos `A casa é sua!', mas não precisa trancar a porta e levar a chave.

(#68) Meu amigo, meus olhos, luz da minha vida! mas... longe de minha bolsa!

(#69) O corvo quis imitar o passo (elegante) da perdiz e perdeu o seu.

(#70) Jiha morreu e pensávamos estar, finalmente, livres dele. Aí ele apareceu, dizendo: - Oi, pessoal!

(#71) Quem é mais velho: Jiha ou o pai dele?

(#72) "Sua benção, madrasta!".

(#73) Perguntaram a Jiha: - Qual será o dia da ressurreição dos mortos? Ele respondeu: - Quando eu morrer!

(#74) -O asno é teu!

(#75) "Mão na massa, Leila!".

(#76) "Cospe a pedrinha, Mansur!".

(#77) Peito de nobre, túmulo do segredo (Sudur al-ahrar, kubur al-asrar).

(#78) A vida do fellah é murra (amarga); a do citadino é hurra (livre, fácil).

(#79) O fellah desceu à madina (cidade) e não se interessou senão por dibs bi tahina.

(#80) Não há preocupação, senão a do casamento.

(#81) Não há distância, senão a do coração.

(#82) Não há cansaço, senão o do coração.

(#83) Não há dor, senão a de dente.

(#84) O que é mais doce do que o mel? Vinagre grátis.

(#85) O que é mais doce do que haláwah? A reconciliação após a inimizade.

(#86) Quem sabe melhor o que você realmente é? Allah e seu vizinho.

(#87) Se é um homem quem te dirige ameaças, podes, de noite, dormir tranqüilo; se é uma mulher, podes começar a passar as noites em claro...

(#88) Em março, habal (germinação); em abril, sabal (florescimento da espiga).

(#89) A uva, duss (apalpe); a azeitona, russ (esprema).

(#90) Semear na abstinência do Natal (az-zara'ah / bi-alqta'ah).

(#91) Casa em que não entra o sol, entra o médico.

(#92) Jejua um mês (shahr), viverás um século (dahr).

(#93) - De que filho a senhora gosta mais?  - Do pequeno, até que cresça; do ausente, até que volte; do doente, até que sare.

(#94) Por causa da rosa, a erva daninha acaba sendo regada.

(#95) Fazer o bem e lançá-lo ao mar: tu o reencontrarás mesmo muito tempo depois..

(#96) Sábio é quem estende seu manto como se fosse tapete e tolo é quem pisa.

(#97) A mão que dá está sempre acima da que recebe.

(#98) A ofensa é manta muito curta: mostra a nudez de quem a veste.

(#99) Dou uma tâmara ao pobre para sentir seu verdadeiro sabor.

(#100) Não será a bondade a recompensa da própria bondade?

(#101) A repetição deixa sua marca até nas pedras.

(#102) O rato aconselhou o dono da casa a matar o gato... e a comprar queijo!

(#103) Foram ensinar o lobo a ler: - Diga A. - Ovelha. - Diga B. - Cabritinho.

(#104) Ele está com o traseiro no charco e (por isso) sonha com melancias.

(#105) - Manhê! Kin'an quer um bolinho!

(#106) "Deus, envia-nos um hóspede!", rezam as crianças...

(#107) Por que o careca haveria de ser gentil com o barbeiro?

(#108) Quem precisa de algo do cachorro, diz: - Bom dia, excelência!

(#109) - Ah, é fiado? Então me vê dez quilos...

(#110) "Cebola é um prato nobre", diz o pobre.

(#111) Quebre o fio de sua roca e saberás o que ela tem embaixo da língua...

(#112) Se o rico come cobra, todos dizem: "Que paladar mais refinado!"; se é o pobre: "Endoidou de vez!"...

(#113) Quando Tannús (Toninho) precisou de nós, nós o chamávamos simplesmente de Tannús, mas quando nós precisamos de Tannús, tivemos de dizer: "Às ordens, venerável mestre!".

(#114) Quando perguntaram ao faminto: "Quanto é dois mais dois?", ele respondeu: "Quatro pães!".

(#115) Defeito que agrada o sultão, vira virtude.

(#116) Nunca o mercador diz: "Meu azeite está rançoso".

(#117) Se é para se apaixonar, que seja por um príncipe. Se é para bater à porta, que seja à porta de um grande. Se é para roubar, que seja um camelo.

(#118) Meca não está longe para quem está determinado a fazer a peregrinação.

(#119) Os segredos da arte, para quem os conhece, estão escondidos sob um arbusto; para quem não os conhece, sob uma montanha.

(#120) Antes inimigo do príncipe do que do guardinha.

(#121) Você o joga no mar e ele volta com dois peixes na boca.

(#122) Ele comeu a isca e ainda deu uma defecadinha no anzol.

(#123) O gato (aproveita e) deita-se em cima do doente.

(#124) Alimenta teu cão e ele guardará tua casa; faze jejuar teu gato e ele te comerá os ratos.

(#125) Não é por amor a Deus que o gato caça os ratos.

(#126) O rato caiu do telhado. O gato: - Que Deus te ajude! O rato: - Tire a pata de cima e deixe que eu cuido de mim.

(#127) "Ó gato, quem testemunha em teu favor?". " Minha cauda!".

(#128) A prece do gato: "Senhor, dizima os moradores desta casa e faze-os cegos a fim de que eu possa roubar". A prece do cão: "Senhor, multiplica os habitantes desta casa e faze-os prosperar a fim de que cada um me dê um bocado".

(#129) A mantegueira da velha caiu no fogo. Ela disse: "Eu a ofereço a Allah".

(#130) Rasgou as roupas e começou a gritar: Náufrago!, Náufrago!

(#131) Ele joga a pedra e depois diz : "É o destino"...

(#132) Ele entra com a mãe da noiva e sai com a mãe do noivo.

(#133) Ele deu os pêsames e chorou, mas nem sabe quem morreu.

(#134) Tudo dói na madame; só sua garganta continua boa...

(#135) Que Deus prolongue tua doença, ó sheikh, até que minha galinha volte a pôr ovos e eu te os possa oferecer.

(#136) Em cima dele, khara (excremento); embaixo dele, khara e ele ainda diz: - Olha que cheiro de khara!

(#137) "Malta não existe"  - "Malta yoq!".

(#138) A culpa não é da D. Cida (a costureira), mas de quem lhe passou as medidas.

(#139) A parede queixou-se ao prego: - Por que me perfuras?  Ele respondeu: - Pergunte ao martelo!

(#140) O mar brigou com o vento e quem virou... foi a barquinha.

(#141) O cão late porque late; o dono pensa que é para ele.

(#142) Se eu sou príncipe e você é príncipe, quem é que vai atrelar o cavalo?

(#143) Quando perguntaram à mula "Quem é teu pai?", ela respondeu: "O cavalo é meu tio!".

(#144) Economiza na alimentação do gato e os ratos comer-te-ão as orelhas.

(#145) O avaro teme a pobreza, mas vive nela.

(#146) Será por inveja ou avareza? Ou por ambas?

(#147) Ele almoçou na madrasta.

(#148) - Teu moinho gira para a direita ou para a esquerda? - Sei lá, o importante é que ele me dá farinha!

(#149) Plantamos o "se", nasceu o "eu gostaria"...

(#150) Disseram ao prisioneiro: - Vamos te casar com uma moça muito bela e muito rica. - Ótimo, mas soltem-me primeiro.

(#151) Não digas: - Smallah!, antes que o camelo se levante.

(#152)  - Caíste sozinho ou foi o camelo que te arremessou? - Tanto faz: o fato é que eu caí.

(#153) (Isto é) Peixe no mar.

(#154) Você quer pegar as uvas ou... matar o guarda?

(#155) Todo pedido de autorização será negado...

(#156) Janta-o antes que ele te almoce.

(#157) Não aconselhe o tolo: em qualquer caso ele te culpará depois.

(#158) A vida é assim: um dia a favor, outro contra... isto para os mais venturosos.

(#159) Uma coisa é receber as chibatadas; outra é contá-las...

(#160) Podem ficar tranqüilos: a raposa me garantiu que não vai mais pegar galinhas.

(#161) "- Corvo, roubar sabão? Para que?"  " - Roubar é da minha natureza".

(#162) A galinha sempre cisca. Mesmo sobre um monte de trigo, ela continua ciscando.

(#163) Khara (excremento) é khara mesmo depois de ter atravessado o Eufrates (al-fara)..

(#164) Dor de dente... bem no dia do casamento.

(#165) O lobo veio atacar as ovelhas, logo quando o cão tinha ido defecar.

(#166) Bastou elogiarmos a limpeza do gato, e ele foi e defecou no depósito de farinha.

(#167) Os beduínos (al-'arab) deixam a ruína detrás de si (bitkharrab).

(#168) Quando os beduínos começaram a ter abundância de manteiga, usaram-na para limpar o traseiro.

(#169) Em mil noras, pode haver uma que ame a sogra; em duas mil sogras, pode haver uma que ame a nora.

(#170) A sogra já foi nora, mas... esqueceu!

(#171) Rancor de homem é rancor; rancor de mulher, rancores.

(#172) Não confie no céu de março, mesmo que ele ria; não confie na mulher, mesmo que ela chore.



[1]. I-II,71,2.

[2]. I,75,4.

[3]. C.G. 3,144.

[4]. Retomo - neste tópico e no seguinte - temas que contemplei em Oriente & Ocidente - Razão, Natureza e Graça: Tomás de Aquino em Sentenças, S. Paulo, EDIX/ DLO-FFLCHUSP, 1995.

[5]. Por extensão, reor no latim comum passou também a ser sinônimo de puto, aestimo (considerar, reputar): daí que vocábulos como "reputação" e "estimar" estejam próximas de palavras da linguagem do cálculo como "computar" e "estimativa". Daí também ratus, contado, de que se originou não só "rateio", mas também "ratificar".

[6]. Encontramos em Tomás, usos como: "De ratione intelligendi est...", "é da essência da intelecção...".

[7]. Neste último sentido, diz Tomás, por exemplo: "habet rationem verbi", tem caráter verbal, apresenta-se como palavra.

[8]. Dictionnaire Étymologique de la Langue Grecque, Paris: Klincsieck, 1968. Logos significa ainda: palavra, discurso, argumentação, raciocínio, conta, proporção (ana-logos), quociente, o Verbo, segunda Pessoa da Trindade etc. Para a etimologia de ratio ver Érnout & Meillet Dictionnaire Étymologique de la Langue Latine, Paris, Klincsieck, 1951, 3ème ed.

[9]. É o que Tomás chama também de recta ratio, em oposição a uma perversa ratio que se fecha à ratio das coisas ou as deforma.

[10]. Sua resposta é: "Ratio propriamente designa o conceito da mente, enfatizando o que está na mente (mesmo que de nenhum modo venha a se exteriorizar); já verbum, diz respeito ao exterior. E por isso - como o Evangelista ao dizer Logos não só se dirigia à significação da existência do Filho no Pai, mas também à potência operativa do Filho pela qual `por Ele todas as coisas foram criadas' - os antigos preferiram traduzir Logos por Verbum (que acentua a referência ao exterior) e não por ratio, que só sugere o conceito na mente" (Super Io. I,1,32).

[11]. Para entendermos melhor esta concepção de Tomás, recordemos que, sendo criada pelo Verbo, a realidade, cada coisa real, tem uma ratio, uma natureza, um conteúdo, um significado, "um quê", uma verdade que, por um lado, faz com que a coisa seja aquilo que é e, por outro, a torna cognoscível para a inteligência humana. Um conhecimento que será tanto mais adequado quanto maior for a objetividade com que se abrir à realidade contida no objeto. Numa comparação imprecisa (imprecisa, pois num caso trata-se de realidade natural, viva e dinâmica, projetada pela Inteligência divina e, no outro, de um objeto artificial projetado pelo homem) com o ato criador divino, considero o isqueiro que tenho diante de mim. Este objeto é produto de uma inteligência, há uma racionalidade que o estrutura por dentro. Inteligentemente o designer articulou a pedra, a mola, o gás etc. É precisamente essa ratio que, por um lado, estrutura por dentro qualquer ente que, por outro, permite, como dizíamos, o acesso intelectual humano a esse ente. No caso do isqueiro, a ratio que o constitui enquanto isqueiro é o que me permite conhecê-lo e, uma vez conhecido, consertá-lo, trocar uma peça etc.

[12]. Não por acaso Tomás considera que "inteligência" tem que ver com intus-legere ("ler dentro"): a ratio do conceito na mente é a ratio "lida" no íntimo da realidade.

[13]. Para a seleção dessas sentenças, valemo-nos muitas vezes do criterioso Thomas-Brevier (München, Kösel, 1956) de Josef Pieper. Dele procedem as referências às demais obras de S. Tomás, que seguem o seguinte código de abreviaturas: Virt. comm. - Quaestio disputata de virtutibus in communi; Ver. - Quaestiones disputatae de veritate; Mal. - Quaestiones disputatae de malo; Pot. - Quaestiones disputatae de potentia Dei ; Comp. Theol. - Compendium Theologiae; Spe - Quaestio disputata de Spe.

[14]. A partir de agora, abreviado por DMS. Retomo, neste tópico o trabalho "Santo Tomás de Aquino: Sobre o Modo de Estudar" Cadernos de História e Filosofia da Educação São Paulo, EDF-FEUSP, v.2, n.3, 1994, pp. 45-54.

[15]. Martin Grabmann - em seu Die Werke des Hl. Thomas von Aquin, Münster, Verlag der Aschendorffschen Verlagsbuchhandlung, 2a. ed., 1931, p. 372-373 - considera o De modo studendi um opúsculo autêntico. Contra as reservas (embora mínimas) que Mandonnet guarda a propósito da autoria do De modo studendi - incluído por ele entre os vix dubia de Tomás, Opusculum XLIV, opúsculos de que dificilmente se pode duvidar de que o autor seja o Aquinate (S. Thomae Aquinatis: Opuscula Omnia cura et studio R.P. Petri Mandonnet, vol. IV Paris, Lethielleux, 1927) -, Victor White, em seu How to study, 2a. ed., Oxford, Blackfriars, 1949, aponta razões intrínsecas que confirmam a tese da autenticidade desse opúsculo. Para a tradução, valemo-nos do texto latino apresentado por White.

[16]. "Viver do silêncio" (trad.: Henrique Elfes) in LAUAND, L. J. "Santo Tomás de Aquino: Sobre o Modo de Estudar" Cadernos de História e FIlosfia da Educação São Paulo, EDF-FEUSP, v.2, n.3, 1994, pp. 45-54.

[17]. Aqui Pieper joga com os termos alemães Vernunft e Vernehmen traduzidos por "entendimento" e "entender". Vernehmen é a percepção, a captação de uma realidade, mas principalmente pela audição. Aproxima-se muito do francês entendre, intermediário entre ouvir e compreender.

[18]. Neste tópico, retomamos considerações que fizemos em nosso Tomás de Aquino Hoje..., que, por sua vez, segue de perto a obra de Josef Pieper: Thomas von Aquin: Leben und Werk, München, DTV. 1981.

[19]. J. Maritain, L'humanisme de Saint Thomas d'Aquin, in Mediaeval Studies, 3 (1941).

[20]. I, 8, 1.

[21]. In metaph., 9, 5.

[22]. Na comparação: os entes.

[23]. Na comparação: o actus essendi.

[24]. Na comparação: essência.

[25]. Na comparação: é.

[26]. Sem termo de comparação com a flauta (onde não existe o "puro ato de soar"), no caso de Deus, precisamente por não haver delimitação, determinação, definição na sua posse do ser, não se pode falar em essência, mas em puro ato de Ser; de cujo ser participam todos os entes.

[27]. I,3,4.

[28]. SPICQ, C.  "La vertu de prudence dans l'Ancien Testament"  Revue Biblique, École Pratique d'Études Bibliques, Paris-Rome, Année XLII, No.2, 1933, pp. 187-210.

[29]. Loucura, no Velho Testamento, não no sentido de demência, mas de perversão do senso moral.

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