Home Forum About Us Proverbs Quotations Bookstore Games Proverbium Paremia line News line Contact
 



 

Sunday, 18 May 2008


Much ado about nothing.

Click here to see/listen to the equivalent proverb in:
rss 2.0
Subscribe
Unsubscribe
Send the proverb of the day to a friend
Daily Quote :
Inaction breeds doubt and fear. Action breeds confidence and courage. If you want to conquer fear, do not sit home and think about it. Go out and get busy.
--Get Details
( Carnegie, Dale | Fear )
A Dictionary of English and Romance Languages Equivalent Proverbs

European Proverbs in 55 Languages with Equivalents in Arabic, Persian, Sanskrit, Chinese and Japanese



You can find our
CD-Roms at

ebay

De Proverbio - Electronic Journal of International Proverb Studies. Proverbs, Quotations, Sayings, Wellerisms.
Catalogue>>
Back to Index
Previous
Next 

CAPÍTULO IV

PRUDÊNCIA E MEMÓRIA

(#44) Al-insan m'árrad lin-nissyan [FGHL, 51].
(O ser humano está exposto ao esquecimento).

 

IV.1  A Virtude da Prudência: virtude intelectual

Numa conceituação de moral como a de Tomás, em que a principal entre as virtudes cardeais é a prudentia ([1]), compreender-se-á facilmente que um ponto decisivo para a educação moral seja a educação para a prudência.

Para a apresentação do tema, optamos por recolher aqui, inicialmente, a brilhante sintética exposição, feita por Pieper ([2]), sobre a atualidade, o significado e o papel exercido - no pensamento de Tomás - pela prudência no quadro das virtudes cardeais:

"Se perguntarmos, sóbria e objetivamente, o que se pode exigir e esperar, em termos de "ser-bom", do homem comum - e, portanto, de cada um de nós -, logo pede a palavra a antiga sabedoria que fala do espectro de quatro cores em que se desdobra a luz da perfeição. É a doutrina das "Virtudes Cardeais": Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança. O termo latino cardus significa gonzo, que abre o portal da vida.

Esses quatro nomes certamente já foram ouvidos muitas vezes, sem que seu significado fosse levado a sério. No momento, porém, em que isto se faça, a situação torna-se complicada. Por exemplo cabe já perguntar: como pode a Prudência ser virtude? E a compreensão tornar-se-á ainda mais difícil quando nos disserem que a seqüência não é casual, mas obedece a uma lógica de significado e de hierarquia: à Prudência, cabe, portanto, o primeiro e mais elevado posto.

E mais ainda, tal formulação nem ao menos é precisa; a rigor, a Prudência não ocuparia um lugar como elo dessa série: ela não é algo assim como a irmã das outras virtudes; ela é a sua mãe e já foi designada literalmente como "genitora das virtudes" (genitrix virtutum) ([3]).

Desse modo, ninguém poderia - e, por estranho que possa parecer, de fato é assim - praticar a Justiça, a Fortaleza ou a Temperança, a não ser que seja, ao mesmo tempo, prudente. Ao mesmo tempo, e até antes.

Pelo uso comum da linguagem e pelos hábitos de pensamento, temos alguma dificuldade não só para concordar com o afirmado, mas até para entendê-lo.

Pois não dizemos na língua alemã que é "prudente" (Klug em alemão significa prudente e esperto) quem é esperto e com ágil inteligência logo percebe como "levar vantagem"? E não dizemos que Fulano ou Sicrano é "prudente" demais e, portanto, não defende com determinação e coragem suas convicções?

Tudo isto, sem dúvida, é certo. No entanto, devemos esquecer estes casos, deixá-los de lado e lembrar-nos de outras situações que nos são igualmente familiares - por exemplo, de que, digamos, em caso de conflito, ninguém pode tomar uma decisão justa se não conhece a realidade: como as coisas são e em que pé estão.

O mais puro desejo de Justiça, a "melhor das boas vontades", a "boa intenção", tudo isto não basta. Antes, a realização do bem concreto pressupõe sempre o conhecimento da realidade.

Isso se pode exprimir também do seguinte modo: o agir humano é bom e ordenado quando procede da verdade, que afinal de contas nada mais é que o vir-a-encarar a realidade. E precisamente este é o sentido da prudência e de sua posição privilegiada: que - tanto quanto possível - vejamos a realidade, que eu veja como realmente são os elementos que compõem a situação que exige de mim uma decisão.

Este "ver as coisas", entretanto, não é de modo algum um assunto acessório que se possa considerar com ligeireza. Além do mais, a capacidade de "ver a realidade" é ameaçada de diversas maneiras. Pois não se trata de uma neutra contemplação da natureza, mas da incorruptível "busca da verdade" a respeito de situações nas quais costumam estar fortemente envolvidos, fatores de interesse pessoal. O que importa, portanto, é fazer calar nossos interesses - e, talvez também ouvir o outro, possivelmente um oponente. Quem não consegue isto, ou não está disposto a isto, jamais chegará a ver a realidade como ela é.

Mas isso é apenas o começo e a primeira metade da Prudência. A outra, bem mais difícil, consiste em transformar aquilo que foi visto, a verdade das coisas, em diretriz do próprio querer e agir. Só então se perfaz a virtude da Prudência, que, com razão, foi definida como "a arte de decidir-se corretamente".

Só quem domina esta arte pode ser considerado como um homem moralmente maduro e adulto. Para ele foi cunhada a palavra da Sagrada Escritura: "Se o teu olho é simples (simplex), então todo teu corpo estará na luz" (Mt 6,22)".

IV.2  Prudentia e verdade prática

Após esta primeira apresentação, passemos a aspectos, por assim dizer, mais técnicos. Para tanto, valer-nos-emos também de um clássico guia para mapear o tratamento desta virtude em Tomás de Aquino, o judicioso La prudencia de Santiago Ramírez ([4]).

Inicialmente, deve-se destacar o fato de que é uma virtude intelectual, a prudentia, a principal entre as virtudes cardeais, mãe e raiz das virtudes morais.

De fato, "A prudência exerce seu efeito em todas as virtudes (II-II,47,5 ad 2) e não há virtude que não participe da prudência (II-II,47,5 ad 2). Os dez mandamentos da lei de Deus referem-se à prática da virtude da prudência, executio prudentiae (II-II,56,2 ad 3) ... A prudência é causa, raiz, mãe, medida, exemplo, guia, e razão formal das virtudes morais" ([5]). É pela prudência que cada ato humano concreto recebe sua medida, liga-se à realidade, à verdade das coisas, critério último de moralidade.

Como vimos, a moral pressupõe a prudência enquanto conhecimento da realidade e, nesse sentido, Pieper cita a sentença de Goethe: "Todas as leis morais e regras de conduta podem reduzir-se a uma só: a verdade" ([6]).

Não por acaso, um sinônimo antigo de prudentia é discretio, discernimento ([7]): o homem prudente é o que sabe decidir e agir com discernimento. E é precisamente disto que se trata: do agir. Ao contrário da contemplativa sapientia, a prudentia - como já definira Aristóteles - volta-se para o operabilium e não para a pura contemplação da verdade [cfr. RAMÍREZ, p. 40].

Mas o operabilium (próprio do intelecto prático) pode se dar de dois modos, agibilium e factibilium: "Es agible lo correspondiente a sus operaciones inmanentes, como ver, pensar y querer; y factible se llama lo relativo a sus operaciones transeúntes como serrar, curtir y pasear ... La (operación) inmanente se llama propriamente acción - como la actio latina y la práxis griega -; mientras que la transeúnte se llama más bien producción o confección - como la factio o effectio latina y la poíesis griega" [RAMÍREZ, p. 41].

E conclui: "La esfera propria de la prudentia es lo agible humano: lo factible queda reservado para el arte" [RAMÍREZ, p. 42]. E isso porque a prudentia - ao contrário da arte ([8]) - delibera e se aconselha. Na arte, as regras são uniformes; na prudentia, variáveis e mutantes [cfr. RAMÍREZ, p. 42].

Comentando a clássica definição de prudentia - repetida muito freqüentemente por Tomás -, recta ratio agibilium, diz Ramírez que o termo razão indica que se trata de um hábito intelectual; recta ("verdadeira"), uma virtude; agibilium, prática, referente ao agir:

"Significa, pues, una virtud intelectual de lo agible humano en cuanto tal, esto es, en toda su contingencia y minuciosidad individual: `Recta razón de las cosas agibles (recta ratio agibilium) sobre los bienes o males de un hombre, es decir, de uno mismo'(Tomás de Aquino In VI Ethicorum 7, 1196))" [RAMÍREZ, p. 89].

Assim, a verdade da prudência é a verdade prática ([9]). Note-se, porém, que Tomás não faz uma cisão entre a razão teórica (que se abre receptivamente às coisas) e a razão prática (que se aplica ao agir): não são duas faculdades distintas da alma (I,79,1); é o intelecto teórico que se estende e se torna prático (per extensionem fit practicus). A razão prática não é outra coisa que a própria razão teórica contemplada sob o aspecto do verdadeiro, enquanto medida do agir (3,d.23,2,3,2), o verdadeiro que se estende ao bom (I,d.27,2,1) ([10]).

Assim, a prudência, virtude que radica no intelecto, "aplica o conhecimento universal aos casos particulares" ([11]), fazendo a ponte entre a teórica contemplação da verdade (e o genérico ditame da sindérese:"Faz o bem e evita o mal") e o bem concreto executado nesta ação. Nesse sentido, Tomás esclarece que a prudência trata dos meios: "No que diz respeito ao conhecimento da realidade concreta sobre a qual versa a ação, devemos estabelecer distinções. Pois a ação pode versar sobre o fim ou sobre o meio. Ora, os fins da vida humana reta já estão determinados (...) Mas os meios para os fins não são fixos; há grande variedade e multiplicidade neles segundo a variedade de pessoas e situações" ([12]).

E também: "É próprio da prudência não só a consideração (universal) da razão (teórica), mas também a aplicação ao agir, que é o fim da razão prática. E a prudência não poderia aplicar-se a esses dois polos sem conhecer ambos... Portanto o prudente precisa conhecer os princípios universais da razão e os particulares nos quais se dá a ação" ([13]).

Precisamente essa mesma estrutura dinâmica de mediação entre o teórico e o prático, entre o genérico e o particular é a que é possibilitada -tipicamente falando - pelos provérbios (e sobretudo pelos provérbios árabes...).

Exemplifiquemos com um tema muito freqüente nos provérbios árabes: o da responsabilidade. Entre o princípio genérico (evidente, porém ainda abstrato e, portanto, em alguma medida, inócuo) que diz: "As ações têm conseqüências" e a consciência concreta da responsabilidade quanto a esta decisão - sobre minha vida familiar ou profissional etc. - surge a função mediadora dos amthal, que ajudam a atingir, de modo vivo e bem-humorado, meu "aqui e agora":

(#45) Guardo-me de fazer com as mãos o nó que deverei desfazer com os dentes [BLMR, 112].

(#46) Come-se grão a grão o que se expele aos blocos [BLMR, 117].

(#47) O chacal engoliu a foice; ouçam seus uivos depois para expeli-la [FRHA, 4098].

(O chacal, como se sabe, vai comendo..., alegremente, indiscriminadamente...).

(#48) Eu te conheço, alfarroba...!  [FRHA, 81].

(O fruto da alfarroba é comestível e ligeiramente adocicado, mas produz forte constipação...).

(#49) "Eu não tenho medo do alif, mas do que vem depois!" [FGHL, 2700].

(Aplica-se este mathal a inúmeras situações em que alguém se recusa a começar algo por temor do desenvolvimento que aquilo possa vir a ter. Responde-se: "Eu não tenho medo do alif, mas do que vem depois" ante certas insistências: "Vamos lá, um copinho só...", ou "Você não poderia se encarregar, neste ano, de organizar o almoço de reencontro da nossa turma de formatura?", ou "Por que você não faz doutorado?, no exame de inglês você passa...", "Por que você não aceita ser síndico de nosso prédio?" etc. O mathal procede de um caso que se tornou proverbial. Um menino, recém-enviado à escola - e bem ciente das longas horas de lições de casa a que estavam submetidos seus irmãos mais velhos -, recusava-se terminantemente a aprender a ler. Por mais ameaças e castigos que sofresse, continuava resistindo a pronunciar o alif, a primeira letra do alfabeto. O professor comunica o fato ao pai que, após infrutíferos castigos, dirige-se docemente ao menino: "Meu filho, por que essa teimosia? O alif não vai te fazer nenhum mal, por que você tem medo do alif?". Ao que o garoto respondeu: "Eu não tenho medo do alif, eu tenho medo é do que vem depois...").

(#50) Dê seu pão ao padeiro, mesmo que ele coma a metade. [FRHA, 243].

(Em qualquer caso, melhor do que a improvisação amadora é confiar o serviço a um profissional).

(#51) Por que estranhas que venha na concha o que tu mesmo colocaste no pote? [FRHA, 368].

Assim, os provérbios são, como veremos mais detalhadamente a seguir, conselheiros da prudência, condensando em si, a experiência e a apreensão da realidade...

Ao tratar dessa ponte entre o universal e o concreto, que Tomás atribui à prudentia, Ramírez faz uma brilhante análise das relações entre o intelecto e o sentido interno chamado vis cogitativa.

IV.3 Prudentia e vis cogitativa

A afinidade entre os amthal e a virtude da prudência dá-se - em termos cognoscitivos - na medida em que ambos fazem, nos dois sentidos, a ligação entre o singular e o universal: os provérbios (e o conhecimento prudencial em geral...) foram originariamente apreendidos da realidade vivida, depois enunciados conceitualmente (e, no caso do árabe, tendendo a concretizar, a "figurar") e, finalmente, voltam à realidade concreta, quando se aplicam a esta ou àquela situação. Daí a importância - para nossa análise - da vis cogitativa - sentido interno associado à razão - que se encarrega, precisamente, do trânsito de um para outro polo do binômio particular/universal.

"Porque no basta captar un solo objeto por un solo sentido y por una sola vez, sino que hace falta captar muchos por diversos sentidos y repetidas veces y de distintas maneras en cada uno de ellos" [RAMÍREZ, p. 47]. É à cogitativa - sentido interno que participa da razão -, que Tomás atribui a importante função de intermediar a passagem do conhecimento sensível para o intelectual. E o faz, agindo precisamente sobre essa série de impressões sensíveis, realizando uma "pré-abstração": a collatio.

Antes que se forme no intelecto o conceito (e a correspondente palavra que lhe será associada), a collatio é a ordenação, agrupamento e comparação dessas sensações, como que preparando-as para a abstração.

Nesse sentido, Ramírez apresenta uma passagem fundamental do Aquinate: pela collatio, a cogitativa volta-se para a massa informe de sensações, ordena-as e apresenta-as ao intelecto com o fim de descobrir a lei ou o princípio comum que as rege e que está neles latente: "Pois a experiência - diz S. Tomás - é resultado da comparação de muitos singulares retidos na memória. Ora, esta comparação é própria do homem e pertence à cogitativa, chamada de razão particular, porque realiza a comparação das intenções ([14]) particulares, como a razão universal o faz para as intenções universais ([15])" [apud RAMIREZ, p. 48].

Um exemplo - o do surgimento do conceito de "Kitsch" - ajudar-nos-á a compreender esta função da cogitativa.

A formação de qualquer conceito (e, portanto, a formação de uma palavra) começa pela collatio da cogitativa. Antes de surgir o Kitsch como palavra e como conceito, na base da apreensão conceitual dessa realidade, está a collatio, que agrupa e compara - como que convidando o intelecto a exercer sua ação universalizadora - impressões aparentemente tão diversas como: o pingüim da geladeira, a caneta de múltiplos usos (que também abre latas e possui uma bússola pisca-pisca embutida etc.), aquele quadro em cor púrpura fosforescente representando um incêndio na mata, o anãozinho do jardim etc.

Só a partir dessa ação da cogitativa, o intelecto pode radiografar a ratio comum - latente a cada elemento dessa série de sensações - e chegar, no caso, ao conceito (e à palavra) Kitsch.

Mas a cogitativa também faz seu trabalho de intermediação no sentido contrário: do universal para o particular. A vis aestimativa - a correspondente à cogitativa nos animais - informa-os, instintivamente, da conveniência (ou inconveniência) das intentiones insensatae (de tal ou qual dado sensível: a ovelha que foge do lobo, por exemplo). Analogamente, no homem, compete à cogitativa - em união com a razão - julgar o sentido moral latente nesta ou naquela situação oferecida pelos sentidos:  "(La cogitativa ejerce su acción...) respecto de la misma vida moral del alma, en cuanto que, bajo la dirección de la razón práctica y a su servicio, compara dichos objetos ofrecidos por los sentidos exteriores y por la imaginación y la memoria sensitiva, con vistas a descubrir en ellos y a través de ellos por dicha razón, la verdadera bondad y malicia moral de que son susceptibles" [RAMIREZ, p. 48-49].

Há, pois, duas grandes funções da cogitativa: uma, ascendente, do sensível para o inteligível; outra, descendente, do inteligível para o concreto. Daí a conclusão: "el sujeto psíquico de la prudencia no es sola la razón práctica, sino también la cogitativa" [RAMIREZ, p. 50].

As relações entre collatio e provérbios ([16]) são particularmente visíveis no Oriente. A collatio enquanto pré-abstração, agrupa, enfileira, compara realidades concretas que, após a ação do intelecto serão unificadas conceitualmente. Aliás, como faz notar Louis-Claude Fillon ([17]), parabolé ([18]), é traduzida ao latim por collatio (Cícero) e por similitudo (Tertuliano): comparação e semelhança ([19]). "Denota, pois, um gênero literário em que, ao lado da verdade, se põe, por assim dizer, uma imagem que a torna mais perceptível, mais viva".

E a cogitativa faz também a volta: aplica o conceito geral à realidade concreta.

A collatio, enquanto agrupamento, como que fala por si e convida naturalmente à abstração, como é o caso dos antigos provérbios portugueses (que tanto lembram a forma árabe):

Desejo de doente, vista de barbeiro, serviço de molher [DELIC, 21].

Azeite derriba, mel do fundo, vinho do meyo [DELIC, 216].

Essa tendência oriental para o concreto manifesta-se, por exemplo, no antigo clássico da literatura árabe, Kalila e Dimna: no curioso jogo verbal entre o rei e Ilad. A cada conceito abstrato do rei, Ilad responde com um mathal-collatio, no estilo dos provérbios numéricos da Bíblia (Pro 30, 15-33).

Quando o rei fala em "irreconciliabilidade", Ilad retruca que esta só se dá em quatro casos e enumera a correspondente collatio:

(#52) Lobo e cordeiro, gato e rato, falcão e pintada, corvo e corujão ([20]).

Do mesmo modo, "não ser nada" reconduz à collatio:

(#53) Rio sem água, território sem rei, mulher sem marido ([21]).

E assim por páginas e páginas... Na tradição bíblica, como dissemos, dão-se também collationes que traduzem, numérico-concretamente, conceitos abstratos como insuportabilidade e insaciabilidade (respectivamente):

O servo que chega a ser rei. o louco farto de pão, a moça antipática que encontra marido e a serva que herda da patroa (Pro 30, 22-23).

Três coisas são insaciáveis e uma quarta jamais diz: "Basta!". O Xeol, o ventre estéril, a terra que não se farta de água, e o fogo que não diz: "Basta!" (Pro 30, 15-16).

IV.4  As partes quasi integrais da Prudência

A ligação entre prudentia e Pedagogia do mathal, dá-se, mais concretamente, em relação a duas partes quasi integrais dessa virtude, objeto do presente tópico.

Santo Tomás, precisamente a propósito da prudência, retoma, exemplificando, os três tipos de partes. E diz que há partes integrais, como a parede ou o teto são partes da casa; subjetivas, como "boi" e "leão" em relação ao "ser animal" e potenciais, como a dimensão nutritiva ou sensitiva em relação à alma (II-II,48,1).

Prossegue, explicando que, no caso das virtudes, partes integrais ([22]) são as que concorrem para o ato perfeito da virtude (do mesmo modo que, digamos, uma casa sem teto não seria uma casa completa).

Já as partes subjetivas são as diversas espécies da virtude; a prudência pode voltar-se para a boa direção de si mesmo ou do coletivo (neste caso, Tomás analisa a prudência militar, doméstica e política).

As partes potenciais são virtudes adjuntas que se dirigem a atos secundários, que não possuem toda a virtualidade da virtude principal.

Ainda em II-II,48,1, Tomás enumera as partes da prudência.

Nosso tema, a educação moral e os provérbios, volta-se, naturalmente, para o conhecimento, daí que nos interessem, especial e tematicamente, duas virtudes ([23]) dentre as cinco partes quasi integrais da prudência em sua dimensão cognoscitiva ([24]): a memória e a docilidade.

As outras partes são:

- A inteligência (intellectus), entendida não enquanto faculdade intelectiva, nem enquanto cognoscitiva de universais, mas como uma "outra inteligência" (alius intellectus) ([25]), que conhece a outra "ponta" (extremi): um primeiro singular e contingente operável, a menor do silogismo da prudentia, que deve ser particular (II-II,49,2, c e ad 1). Se a memória diz respeito ao passado, o intellectus refere-se ao presente "operável". Tendo em conta essas considerações, constatar-se-á que a virtude da inteligência está implícita em diversas de nossas análises sobre o concreto da prudência.

- A solertia, tal como a docilitas refere-se à aquisição de uma reta opinião. Ao contrário desta, porém, dá-se não por meio de ensinamento de outro, mas per se inveniendo, com rápida e fácil descoberta do meio (II-II, 49, 4).

- Finalmente (II-II,49,5), a ratio, razão: não enquanto faculdade, mas enquanto "raciocínio" sobre os casos particulares e incertos). Nesse sentido, também está implicitamente considerada em nossas análises.

Antes de passarmos à análise da memoria e da docilitas, recolhemos, a título de apresentação de um tema fundamental para a Pedagogia do mathal, uma nota sobre a memória nas tradições ocidental e oriental ([26]).

IV.5  Nota sobre a Memória nas tradições ocidental e oriental ([27])

O homem é, fundamentalmente, um ser que esquece! Nesta aguda caracterização antropológica coincidem as tradições de sabedoria oriental e ocidental.

Já entre os gregos, encontramos um extraordinário papel dado à Memória, Mnemosyne, nas artes e na filosofia.

"Mnemosyne é a mãe das Musas", diz Hesíodo, 700 anos antes de Cristo. Um século mais tarde, Safo afirma que não há memória sem as Musas (que teriam herdado da mãe, aspectos do dom). E, passados outros cem anos, Píndaro também estabelece o caráter "lembrador" das musas em seu grandioso Hino a Zeus. A cena é límpida: sob o poder de Zeus, toda a confusão e deformidade foi dando lugar à harmonia e à ordem. Quando o mundo atingiu sua perfeição final de beleza, Zeus, num banquete, pergunta aos deuses se eles acham que esteja faltando algo. Sim - é a resposta -, faltam criaturas divinas que louvem essa beleza... ([28]).

Esse coro de poetas não se expressa apenas a respeito da arte ou da filosofia da arte; expressa, também e principalmente, profundas convicções antropológicas: o homem é, fundamentalmente, um esquecedor: daí a necessidade das filhas de Mnemosyne para lembrá-lo.

É por essa mesma razão que os grandes pensadores da tradição ocidental consideravam as descobertas filosóficas, não tanto um deparar-se algo novo e insólito, mas, precisamente, des-cobertas: trazer à consciência algo já visto, já sabido, mas que, por qualquer razão, não permanecera na consciência. E, de repente, um insight, uma luz interior permite reparar na realidade já vista: uma ratio, até então, en-coberta.

Assim, também a missão da Filosofia não é a de apresentar-nos algo novo, mas, sim, algo já experimentado e sabido que, no entanto, permanecia inacessível: justamente o que se expressa com a palavra lembrar.

Claro que ao afirmar o caráter esquecedor do homem, não se afirma que ele esqueça de tudo, mas, principalmente - e é até uma constatação de ordem empírica - do essencial. Pois, na verdade, o homem lembra-se de muitas coisas: naturalmente, ele, "criatura trivial" (Guimarães Rosa), não esquece de conferir seu troco, não esquece da data da entrevista para um novo emprego, nem da final do campeonato, nem das realidades que compõem o rotineiro quotidiano. Muito mais fácil é que, precisamente ante as sempre urgentes solicitações do "diário dos dias" (Guimarães Rosa), esqueçamos das grandes verdades, como a grandiosidade da criação divina ou a inexorável realidade da própria morte.

Ou, como diz Deus, pelo profeta Jeremias: "A donzela esquece-se de seus adornos? a noiva, de seu cinto?; mas, meu povo se esqueceu de Mim, por dias sem conta" (Jer 2, 32).

O remédio para esse esquecedor nato é a arte (Píndaro) e o filosofar, entendido como reminiscência (Platão) ([29]).

Um último testemunho da tradição ocidental provém da teologia de S. Tomás: a memória é uma poderosa virtude, parte importante da principal das virtudes cardeais: a prudentia. Daí que Tomás afirme a decisiva missão da meditação: manter acesa a lembrança do essencial ante a entrópica tendência ao embotamento...

Se esse "jeito esquecido de ser" é considerado, como dizíamos, característica essencial do ser humano na Antropologia clássica do Ocidente, na tradição oriental, por sua vez, tal consideração é ainda mais radical.

Na língua árabe, desde tempos imemoriais, a própria palavra para ser humano ([30]) é Insan ([31]). A surpreendente profundidade antropológica expressa nessa palavra manifesta-se quando atentamos para seu significado literal, enfatizando uma característica humana que se absolutizou para designar o homem. Insan - derivada do verbo nassa/yansa, esquecer -, aponta para aquele que esquece.

A infinita sabedoria da língua árabe, ao designar o homem por Insan, o esquecedor, vê-se confirmada pelo fato de que o próprio falante árabe não se dê conta, no dia-a-dia, desse fato. Daí a judiciosa sentença:

(#54) Wa ma sumya al-insan insanan illa linissyanihi ([32]).

("O ser humano (Insan= ser humano ou esquecedor) não foi chamado de esquecedor, senão por causa de seu esquecimento").

Naturalmente, há na formulação original um delicioso jogo de palavras, como se disséssemos em português, com Drummond: "O imposto chama-se imposto, porque é-nos imposto".

Não é de estranhar, pois, que, no Alcorão (20, 50-52), Deus se apresente - em contraposição ao insan - como "Aquele que não esquece".

O mesmo acontece na Bíblia ([33]): "Por acaso uma mulher se esquecerá de sua criancinha de peito?... Ainda que as mulheres se esquecessem, Eu não me esqueceria de ti" (Is 49,15). E o homem, em sua oração, apela a Deus lembrador: desde Moisés (Ex 32,13) até o bom ladrão (Lc 23,42), a Bíblia está repleta de orações: "Lembra-te, ó Senhor...".

O esquecimento humano é freqüentemente diagnosticado como auto-suficiência, proveniente da prosperidade: "Não aconteça - diz Deus, ante o ingresso do povo na terra prometida, de onde mana o leite e o mel - que, havendo comido e estando saciado... e aumentado teu ouro etc. te esqueças de Iahweh, teu Deus" (Dt 8, 12 e ss.). E, de fato, Jesurun engordou e esqueceu (Dt 32, 15); "Eu os apascentei e eles se saciaram; uma vez saciados, seu coração se exaltou e, por isso, eles se esqueceram de Mim" (Os 13,6).

Consciente de que o homem é Insan, esquecedor, o Oriente desenvolveu uma pedagogia - desprezada, esquecida e incompreendida pelo ocidental contemporâneo -, a pedagogia do dhikr, a pedagogia do lembrar, a pedagogia baseada na repetição, nos provérbios, no decorar, nas festas, nos gestos, nos rituais... ([34]).

Para a apressada educação ocidental contemporânea - que se afasta, cada vez mais, da sabedoria em favor da mera informação - toda repetição é supérflua e enfadonha: não conduz a nada de novo ("novidade" é um de seus valores absolutos).

Já o Oriente - guardião da memória - "confunde", em dhikr, memória e repetição. Para um ocidental de hoje seria inaceitável (e até incompreensível) a afirmação de Jamil Almansur Haddad: "Sempre, no Oriente, a repetição. A repetição que é a música, a repetição que é o arabesco, as frases que se repetem infinitamente. Em plano religioso e em plano místico, o dhikr: a repetição ininterrupta, pelos tempos infinitos, do nome de Allah, em que o crente se anestesia apenas com a repetição do nome de Deus, que leva ao êxtase, o que, em definição rápida, é o contato direto, imediato com Deus, dispensando intermediários" ([35]).

A educação oriental sempre se apóia na repetição. Note-se, de passagem, que a prática cristã das jaculatórias - evidentemente, uma forma de dhikr - foi (como tantas outras instituições da ascética cristã) algo surgido no Oriente e aprendido no Ocidente. Já Santo Agostinho registra: "Diz-se que os monges do Egito fazem freqüentes orações muito curtas, a modo de jaculatórias brevíssimas, para que assim a atenção, que é tão sumamente necessária na oração, mantenha-se vigilante e desperta" ([36]).

E no começo do século V, um autor clássico da espiritualidade ocidental ([37]), João Cassiano, relata o que viu nos desertos orientais.

O abade Germano, por exemplo, ensina a Cassiano (para que este transmita ao Ocidente) os princípios pedagógicos fundamentais da sabedoria dos monges: 1) procurar algo que ajude a mente a lembrar de Deus e 2) encontrar o meio de fixar essa idéia. E - prossegue o monge - "é evidente que se caímos em confusão e dispersão é porque não temos algo concreto como objetivo fixo, uma fórmula por exemplo, para concentrar o espírito" ([38]).

O ocidental de hoje, tão desenraizado (esquece até de sua condição de esquecedor...), tão afastado da sabedoria, tão auto-suficiente em seu habitat tecnológico domesticado, em seu mundo tão incolor e sem alma, que já não se deixa sensibilizar por nada (exceto, talvez, por novas formas de consumo, ou efeitos especiais...); o ocidental bem que poderia expor-se à necessária complementaridade do diálogo com o Oriente, para resgatar as raízes de uma sabedoria que, afinal, são as de sua própria tradição ocidental.



[1]. Como dissemos na Introdução, as palavras que se referem a virtudes e à realidade moral, estão expostas a um desgaste semântico, que torna irreconhecível a prudentia, de que fala S. Tomás, na nossa "prudência". Seja como for, grafaremos também "prudência" no sentido de prudentia.

[2]. "Ver aquilo que é" in  LAUAND, L. J. (org.) Ética: Questões Fundamentais, São Paulo, EDIX/DLO-FFLCHUSP, 1994.

[3]Prudentia dicitur genitrix virtutum (3,d.33,2,5).

[4]. RAMÍREZ, Santiago M.  La prudencia  Madrid, Palabra, 1982, 2a. ed. A partir de agora, será citado como [RAMÍREZ, p.  ].

[5]. PIEPER, Josef  Das Viergespann, München, Kösel, 1964.

[6]. Ibidem p. 22. A sentença procede de carta de Göethe a Müller, 28-III-1819.

[7]. É o sentido - indicado pela própria etimologia grega de phrónesis - que a virtude aquire na tradição ocidental: em Cícero, em São Paulo, nos Padres do deserto, em Cassiano, São Bento, S. Bernardo etc. até Tomás de Aquino. Tomás só raramente emprega discretio, e como sinônimo de prudentia [RAMÍREZ, cap. I, 1].

[8]. No sentido clássico de ars: recta ratio factibilium.

[9]. Neste parágrafo, resumo considerações de Pieper no Cap. II de Die Wirklichkeit und das Gute, München, Kösel, 5ª. ed., s.d.

[10]. Uma clara análise dos tradicionais doze atos (seis da inteligência, seis da vontade) e mútuo relacionamento entre intelecto e vontade em direção à concretização do agir, encontra-se em GARRIGOU-LAGRANGE, Réginald  "La prudence - sa place...", art. cit. pp. 414 e ss.

[11]. Prudentia applicat universalem cognitionem ad particularia (II-II, 49, 1 ad 1).

[12]. II-II,47,15.

[13]. Ad prudentiam pertinet non solum consideratio rationis, sed etiam applicatio ad opus, quae est finis practicae rationis. Nullus autem potest convenienter aliquid alteri applicare nisi utrumque cognoscat: scilicet et id quod applicandum est et id cui applicandum est. Operationes autem sunt in singularibus. Et ideo necesse est quod prudens et cognoscat universalia principia rationis, et cognoscat singularia, circa quae sunt operationes (II-II, 47, 3).

[14]. No sentido técnico de intentio.

[15]. In I Metaph., 1, 15.

[16]. Se quisermos ser mais completos, devemos falar também nas mútuas relações entre cogitativa, collatio, memória e experiência. Nesse sentido, expressa-se Gerhard: "We have spoken of the modification of the cogitative power by experiences, but we must expatiate upon this. In our earliest activities we act in a much more purely instinctive and determined manner than we do as we grow older. As we pile up knowledge of facts, of how things happen, of what is conducive to good, or what hurts us, we are no longer led to act immediately upon the apprehension of an object or situation as a good. The remembrance of past occurrences is called upon for data which are collated with the present circumstances. Hence we speak of men of experience being capable of acting prudently".  GERHARD, William A.  "The Intellectual Virtue of Prudence"  The Thomist, New York, Sheed & Ward, Vol. VIII, No. 4, 1945, p. 450.

[17]. Em sua clássica Vida de N. S. Jesucristo, trad. de V. M. Larrainzar, Madrid, Fax, 1966, p.468

[18]. Literalmente "lanço, ponho ao lado", justaposição de duas coisas e, portanto, comparação das mesmas. Parabolé, no grego neo-testamentário, aproxima-se de mathal. Assim, a partir de seu ponto de vista oriental "confundente", Lucas (Lc 4,23) denomina parabolé o provérbio: "Médico, cura-te a ti mesmo!"!! (Fillon, op. cit., p. 469). (Cfr. BOVER, José M. - O'CALLAGHAN, José   Nuevo Testamento Trilíngüe (grego/latim/cast.), Madrid, B.A.C., 1977.

[19]. Collatio e similitudo são, como estamos vendo, dois importantes pontos na filosofia da educação de Tomás e centrais na Pedagogia do mathal.

[20]. BENALMOCAFFA, Abdalllah   Calila y Dimna (Introducción, traducción y notas de Marcelino Villegas). Madrid, Alianza Editorial, 1991, p. 260.

[21]. Ibidem, p. 258.

[22]. Na verdade, Tomás fala de partes quasi integrais, "ad similitudinem partium integralium": a virtude, uma qualidade simples, não admite partes integrais em sentido próprio, pois não se trata de sua entidade, mas de funções (cfr. I-II,54,4).

[23]. O que não impede que as demais partes quasi integrais da prudência estejam indireta e implicitamente incluídas em nossa análise... E o mesmo se diga em relação às partes potenciais da prudentia (II-II, 51): a eubulia, a synesis e a gnome.

[24]. - A providentia, circumspectio e cautio são partes da prudentia enquanto preceptiva e só serão indiretamente por nós consideradas.

[25]. Enquanto aportação dos princípios universais ao caso particular. Assim (ad 1), a inteligência não só conhece os princípios especulativos ou práticos (como "não se deve fazer mal a ninguém"), mas se estende ao caso concreto presente e, neste sentido, é parte da prudência.

[26]. O tópico seguinte reproduz meu capítulo "Al-insan, o homem esse grande esquecedor" in Oriente e Ocidente: Língua...

[27]. Ao longo deste tópico, seguimos os capítulos de SIMONDON, Michèle "Mnémosyne, mère des Muses" in  La Mémoire et l'Oubli - dans la Pensée Grecque jusqu'à la fin du Ve. siècle avant J.-C., Paris, Société d'édition "Les Belles Lettres", 1982; de SNELL, Bruno  "Pindar's Hymn to Zeus" in The Discovery of the Mind - The Greek Origins of European Thought, Cambridge, Harvard Univ. Press, 1953; e, sobretudo, de PIEPER, Josef  Nur der Liebende singt, Schwabenverlag, 1988, p.35 e ss.

[28]. Se dispuséssemos do tratamento original desse enredo, dado pelo próprio Píndaro (em vez da seca prosa de terceiros), comenta Snell, esse episódio, certamente, estaria entre os mais famosos da literatura grega.

[29]. E também a religião tem um caráter lembrador. Pieper recorda a oportuna distinção, feita pelo inglês, entre remember (lembrar-se) e remind (fazer lembrar). As verdadeiras filosofia, arte e religião fazem-nos lembrar (remind) das verdades fundamentais que, ao sabor da rotina do dia-a-dia, tendem "a cair" no esquecimento (aliás, "esquecer" provém de excadescere, incoativo latino de "cair").

[30]. Próximo ao alemão der Mensch.

[31]. No árabe, Insan é das raríssimas palavras que se aplicam indistintamente ao masculino e ao feminino.

[32]. Esta sentença foi-me indicada pelo Prof. Dr. Helmi M. I. Nasr.

[33]. Ele sempre se lembra: do grito dos infelizes (Sl 9, 13); do pobre (Sl 9,19); de que somos pó (Sl 103,14) etc. etc. etc. e, até mesmo, diz Cristo, do par de passarinhos, que se vendem por um vintém "... e nem um deles é esquecido por Deus" (Lc 12,6).. "Pensas que Eu sou igual a ti? ... Compreendei, ó vós que vos esqueceis de Deus" (Sl 50, 21 e 22).

[34]. De fato, o radical Dh-k-r é mais um exemplo de riqueza do pensamento confundente oriental. Dh-k-r indica: lembrar-se e fazer lembrar - os dois polos da sugestiva distinção inglesa: remember e remind (daí também o souvenir o objeto ou gesto diferente do usual, para a lembrança); nomear, mencionar, citar; repetição (e, sobretudo, a repetição do nome de Allah ou de fórmulas de louvor a Deus); celebrar, comemorar etc.

[35]. "Interpretações das Mil...", p.58.

[36]. "Carta 130, a Proba", recolhido em CARVAJAL, Francisco Fernández  Antología de Textos, 3a. ed., Madrid, Palabra, 1983, texto No. 4362.

[37]. Clássico por transmitir à Europa o que aprendera em sua "reportagem" no Oriente: sobre a vida e a doutrina dos primeiros monges.

[38]. CASIANO, J.  Colaciones I, Madrid, Rialp, 1958, cap. VIII, pp. 480-481.

Back to Index
Previous
Next


Copyright © De Proverbio 2000
ISBN 1-875943-17-X

 






 
Articles | Books | Bibliographies | Bible Proverbs
Copyright © 1995-2006 De Proverbio. All rights reserved.
The banner illustration is a fragment of Pieter Bruegel's painting "The Netherlandish Proverbs", 1559