CAPÍTULO
II
O
SIGNIFICADO E O ALCANCE DO CONCEITO DE MATHAL
"Allah
não se envergonha de falar por meio de
mathal, mesmo que se trate de um mosquito"
(Alcorão 02, 026)
II.1 Em
torno da definição de mathal
Para os
ocidentais - com seu sistema língua/pensamento logos, mais propenso a um pensamento discreto e analítico
([1])
- não é tarefa fácil obter uma
definição ([2])
de "provérbio": "Archer Taylor diz que a
definição de provérbio é complicada
demais para valer a pena. Diz também que todo mundo sabe o que
é um provérbio, de modo que não há
necessidade de defini-lo", assim começa um recentíssimo
estudo sobre o tema ([3]).
Já
para o pensamento confundente árabe, o problema da
definição e da caracterização
específica do provérbio ([4]),
nem sequer se apresenta: o árabe condensa numa única
raiz trilítere, M-Th-L ([5]),
diversos significados ([6]).
Assim, em
torno de mathal,
encontramos: provérbio, parábola,
comparação, metáfora, exemplo, ditado,
adágio, semelhança, analogia, equivalência,
símile, apólogo, modelo, imagem, ideal, escultura,
escarmento, tipo, lição, representação
diplomática, interpretação teatral ou
cinematográfica, etc.
Mathal - palavra
comum às línguas semitas - é, assim, empregada
indistinta e comumente para diversos gêneros e figuras de
linguagem, no centro dos quais estão os nossos
provérbios e parábolas.
II.2 O uso da palavra mathal na Bíblia ([7])
Para uma
aproximação concreta da riqueza de conteúdo
desse conceito, comecemos exemplificando com um contexto familiar, o
da Bíblia. Nela, o uso de mathal (ou seu equivalente
hebraico mashal, da raiz M-Sh-L) é empregado em
situações, para o leitor ocidental, muito variadas.
Assim, numa edição árabe da Bíblia
([8]),
encontraremos, com toda a naturalidade, a seguinte gama de
significados (entre outros) em torno de mathal:
a) Provérbio.
É o sentido mais usual (já o "Livro dos
Provérbios" é "Kitab al-Amthal"). E, entre
tantos outros encontraremos, por exemplo, em I Sam 24,14: "Como diz o
antigo provérbio (mathal): `Dos ímpios procede a
impiedade...'".
b) Sátira, objeto de
escárnio. Como no caso de Jó que, em extrema
desgraça, derrama-se em lamentações e diz:
"Tornei-me objeto de sátira entre o povo (mathalan
al-shu'ubi), alguém sobre o qual se cospe no rosto"
(Jó 17,6). Naturalmente, não nos seria imediatamente
compreensível uma tradução como a da
edição em castelhano da BJE: "Me he hecho yo
proverbio (!?) de las gentes, alguien a quien escupen en la
cara". A mesma expressão (mathal al-shu'ubi), no
mesmo sentido, aparece também, por exemplo em Deu 28, 37
etc.
c) Escarmento, exemplo de
castigo. Assim, em Ezequiel (14,8), Iahweh, irado com a infidelidade,
lança a ameaça contra o idólatra: será
extirpado do meio do povo e dar-lhe-á castigo exemplar. Embora
preserve o sabor semita do original, do ponto de vista da linguagem
comum é um tanto descabida, para nós, uma
tradução como a da BJE: "Porei o meu rosto contra esse
homem, farei dele um sinal e um provérbio (!?)...".
Já o árabe ayatan wa mathalan é
perfeitamente adequado (ayat significa sinal).
d) exemplo, ideal a ser
seguido. Como em Jo 13,15: "Dou-vos o exemplo
(A'tikum mathalan...) para que, como eu o
fiz, também vós o façais)".
e) Parábola. Como em
Mt 21, 33: "Escutai outra parábola (Isma'u mathalan
akhra...) . Havia um proprietário que plantou uma vinha
etc. etc.".
f)
Comparação. Usa-se mathal, mesmo que não
haja estrutura narrativa (própria da parábola). Assim,
em Mt 13, 31 e ss., após as parábolas que narram o destino das sementes do semeador e a história do joio e do
trigo, Cristo propõe "outro mathal", que é mera
comparação (sem enredo narrativo): o reino dos
céus é semelhante ao grão de mostarda, que
é a menor de todas as sementes... Como também o
imediatamente seguinte (também introduzido por "Qal lahum
mathalan akhr:...": o reino dos céus é semelhante
ao fermento que atua sobre a massa...
Nessa mesma linha,
está o mathal (Mt 24, 32) dos sinais, indícios:
"Aprendei da figueira esta parábola (!?) (mathal)
quando o seu ramo se torna tenro e as suas folhas começam a
brotar, sabeis que o verão está próximo (da
mesma forma, será a vinda do Filho do Homem etc.)".
g) Fala velada,
enigmática, obscura. Em João 16,25, Cristo declara aos
discípulos: "Disse-vos essas coisas por (bi) amthal... já não vos falarei bi amthal, mas
claramente vos falarei do Pai". E, em Jo 16,29, os discípulos
respondem: "Eis que agora falas claramente ('alanyatan) e sem mathal algum".
II.3 A raiz M-Th-L no Alcorão
Também no
Alcorão, as palavras em torno do radical m-th-l são
muito freqüentes: aparecem cerca de 150 vezes em 135 ayat.
Embora percorram
praticamente o mesmo amplo espectro de sentidos do hebraico m-sh-l,
para surpresa nossa, encontramos, praticamente, apenas um caso em que
a tradução devesse ser claramente
"provérbio".
Trata-se da passagem (36,
078) em que o homem - "porfiador declarado" (36, 077) - vale-se de
uma formulação proverbial (mathalan) para
desafiar o poder ressuscitador de Deus:
(#38) Quem dará
vida aos ossos estando podres?
Naturalmente, há no
Alcorão inúmeros provérbios ([9])
como, por exemplo (07, 176):
(#38a) "O cão que
ofega tanto se o atacas como se o deixas em paz".
É o caso
também de expressões como:
(#38b) "Casa de
aranha" (29, 041);
(#38c) "Gado de
um só grito" (02, 171);
(#38d) "Asno que
carrega livros" (62, 005) etc.
Seja como for, a
idéia de comparação está sempre
presente.
Somente para efeitos de
registro, a forma básica isolada mithl aparece em vinte
e cinco versículos ([10]),
sempre no sentido de "semelhante", "como". Há cinco
ocorrências da forma bi-mithl ([11]),
todas também no sentido de "no mesmo", "na medida" "da mesma
maneira".
Nas formas unidas a
pronome, temos mithlkum e mithlna ([12]), mithlhu e mithlha ([13])
e mithlhuna ([14]).
Dão-se também
os plurais amthalkum ([15]); amthalha ([16])
e amthalhum ([17]).
Encontramos ainda algumas
outras formas ([18]).
Já mathal (ou
seu plural: amthal), em forma simples ou conjugada, adquire os
significados tradicionais de comparação, símile,
parábola, exemplo (nos sentidos de ideal positivo ou de
castigo exemplar) etc.
Antes de apresentar a
listagem das incidências de mathal/amthal (Apêndice
1), destaquemos alguns pontos do Alcorão, particularmente
importantes para este trabalho:
1) O discurso em mathal como forma árabe. O Alcorão, repetidas
vezes, declara expor aos homens (que nem sempre sabem corresponder) kulli mathalin, todo tipo de amthal ([19]).
E em 39, 027-028 liga expressamente esta postura ao fato de ser um Qur`an árabe: "Neste Qur`an, expusemos
aos homens kulli mathalin. Talvez, assim, deixem-se admoestar.
É um Qur`an árabe...".
2) O mathal enquanto sinal de Deus, a ser decifrado pelo "crente", por "aquele que
pensa", "que ouve", "que vê"... (para usar apenas algumas das
expressões do Alcorão).
II.4 O mathal como revelação/velação
([20])
O mathal como
revelação/velação, requer
considerações mais detidas.
Allah propõe amthal ([21])
aos homens (24, 035; 14, 025 etc.). E já o começo da
sura Al-baqarah anuncia um texto fundamental (02, 026):
"Allah não se
envergonha de falar figuradamente (por amthal), mesmo que se
trate de um mosquito. Os que crêem sabem que é a verdade
que vem de seu Senhor. Já os que não crêem,
dizem: `Que é o que Allah está propondo figuradamente
(por amthal)?'. Assim, Ele extravia a muitos e também
encaminha a muitos. Mas não extravia senão aos
perversos".
O mesmo mathal serve
para esclarecer os fiéis ([22])
e para obscurecer e confundir os que insistem em ficar fora do
caminho!! ([23]).
Este último caso
é, para os padrões ocidentais, intrigante. Pois o uso
do mathal - enquanto comparação, parábola
ou provérbio - não é precisamente para ensinar,
esclarecer, elucidar? E o próprio Evangelho - Mt 13,34-35 -
não diz (recordando o salmo): "E sem parábolas
(biduni mathalin) nada lhes falava, para que se cumprisse o
que foi dito pelo profeta: `Abrirei a boca em parábolas (bi
amthalin); proclamarei coisas ocultas desde a
fundação do mundo'"?
Mas, curiosa e
misteriosamente, na tradição oriental, os amthal têm não só a função (evidente) de
revelar, de tornar manifesto algo, mas também, por vezes, a de
ocultar, de velar algo, função esta que não
é tão imediatamente evidente. Uma tal
contradição aparente se manifesta em duas
surpreendentes metáteses de M-Th-L: Th-L-M, "fazer uma
abertura" e L-Th-M, "velar, encobrir" ([24]).
Trata-se, assim, de
compreender como e porque os amthal escondem e manifestam o
sentido do mundo. Para tanto, voltemos a considerar os amthal de Cristo: a velação/revelação nos amthal de Cristo ([25]).
O emprego de
metáforas, parábolas e provérbios confere
extraordinário vigor à pregação de
Cristo. Não só seus ouvintes, mas também
nós, ainda hoje, nos maravilhamos com a força
expressiva de seu discurso, repleto de imagens da natureza e da vida
do povo.
Pensemos no encanto da
parábola da mulher que encontra a moeda perdida; na
emoção com que está narrada a história do
filho pródigo, ou a do bom samaritano; na força
convincente dos provérbios evangélicos ("Não se
colhem uvas do espinheiro" ou "Um cego não pode guiar outro
cego" etc...); no lirismo com que são evocadas as aves do
céu; na límpida simplicidade das cenas com que descreve
o quotidiano de seu povo - os cuidados do campo, os afazeres da
pesca, o remendo do vestido velho, a armazenagem do vinho
etc.
Mas o sentido dos amthal de Cristo não se mede pelo seu atrativo
poético, nem sequer pela sua eficácia
pedagógica: a parábola do semeador, por exemplo,
não foi compreendida sequer pelos apóstolos, aos que
Cristo faz uma enigmática declaração: "Por isto,
Eu falo em parábolas: porque eles, olhando, não
vêem, e ouvindo, não compreendem!", cumprindo assim a
profecia de Isaías: "Ouvireis e não compreendereis.
Para que não se convertam e não sejam
perdoados".
A forma externa simples da
parábola (a genial descrição da natureza e de
processos psicológicos) pode distrair o leitor de uma outra
"leitura", mais profunda. Mas é precisamente este outro
nível, o da manifestação de Deus, o que Lhe
interessa, do mesmo modo que Cristo não cura doentes para
obter resultados médicos. E quando o ouvinte não capta
a realidade de Deus e de Sua obra, a parábola é
inócua para ele. Tal captação depende, em
última instância, das disposições
interiores: para aquele que não quer crer, a parábola, precisamente por sua forma literária, obstrui o caminho
da compreensão do sentido espiritual; já para os
corações simples e bem dispostos, os amthal são revelação ("A vós foi dado conhecer o
mistério do Reino de Deus"). No próprio Jesus que, como
Verbo Encarnado, é Ele mesmo, um mathal, muitos
não viam senão um mero homem, o "filho do
carpinteiro".
Quando
Tomás de Aquino discute a conveniência de que Deus se
revele por amthal (similitudines) na Sagrada Escritura
([26]),
após lembrar que o ensino por comparações
sensíveis é o mais adequado à natureza do homem
(espírito intrinsecamente unido à matéria),
enfrenta a objeção de que os amthal ocultam a
verdade (Sed per huiusmodi similitudines veritas occultatur).
E responde: "O raio da divina revelação não se
extingue por ser comparado ao sensível em que se envolve
(circumvelatur), mas permanece em sua verdade: cabendo
às mentes que são destinatárias da
revelação ascender a seu sentido superior..."
([27]).
E conclui destacando um
importante ponto da Pedagogia do mathal: ele lembra que o lado
sombrio do claro-escuro dos amthal (ocultatio
figurarum) é útil para exercitar o engenho dos que
a elas se aplicam e para subtrair seus ensinamentos à burla
dos que não querem crer...
II.5 Os diversos
níveis de leitura do mundo como mathal ([28])
Não só as
Escrituras, o próprio mundo é também uma
parábola que admite diversos níveis de leitura. Afinal,
diz Tomás de Aquino, Deus cria por Seu Logos ([29]), Verbum, Sua Palavra, Seu Pensamento e "assim como a palavra
audível manifesta a palavra interior do pensamento, assim
também a criatura manifesta a concepção do
Pensamento divino... As criaturas são como palavras que
manifestam o Verbo de Deus" (I d.27, 2.2 ad 3).
Deus - que
"dispôs tudo com medida, número e peso" (Sab 11, 20) -
fez deste mundo um grande mathal para o homem. Pois Deus se
comunica através de ayat ([30]), sinais ([31]). Sinais são não só prodígios portentosos,
mas também as coisas corriqueiras do mundo ([32])
e o próprio mundo como um todo é um sinal.
Note-se, nesse sentido, que
do radical árabe '-L-M derivam as palavras árabes para
"mundo" e "sinal", "marco". E não por acaso, Jean-Paul Sartre
identifica seu ateísmo com a sentença: "Não
há sinais no mundo" ([33]).
E o Alcorão
não se cansa de repetir: "...nisto, certamente, Allah
estabeleceu sinais para quem está disposto a refletir". Nisto: "Na criação dos céus e da terra e
na sucessão da noite e do dia" (03, 190). "Ao fazer as
estrelas para que possais dirigir-vos por elas entre as trevas da
terra e do mar" (03, 097). "Ao fazer descer água dos
céus, e que as árvores frutifiquem e dêem cachos
ao alcance da mão" (03, 099). "Foi Ele quem fez do sol,
claridade e da lua, luz. Quem determinou as fases da lua para que
saibais o número de anos e o cômputo. Allah não
criou isto senão com um fim. Ele explica os sinais aos que
sabem" (10, 005). Etc., etc., etc.
Assim, Allah que é
sutil, Latyf (Alcorão 33, 034), fala por sinais,
parábolas e metáforas: "Ele fez descer do céu a
água, que desliza pelos vales, segundo sua capacidade. A
torrente arrasta uma espuma flutuante, semelhante à
escória que se dá na fundição para
fabricar jóias ou utensílios. Assim fala Allah em mathal da Verdade e do falso: a espuma se perde e fica na
terra o que é útil para os homens. Desse modo, Allah
propõe os amthal" (13, 017).
Como vimos, o
Alcorão afirma que, até através de um mosquito,
Deus fala ao homem por amthal; já o Velho Testamento
remete à formiga: "Vai, preguiçoso, vai ter com a
formiga, observa o seu proceder, e torna-te sábio" (Prov 6,
6).
E Cristo convida a aprender
a sabedoria de Deus, olhando os lírios do campo, as aves do
céu e o mundo em geral: "Aprendei da figueira o mathal..." (Mc 13, 28).
E o Apóstolo diz:
"Na lei de Moisés está escrito: `Não
atarás a boca ao boi que debulha'. Mas, acaso Deus se ocupa de
bois? Não é, na realidade, em atenção a
nós que Ele diz isto?" (I Cor 9, 9-10).
Com a unanimidade das
três grandes religiões, não é de estranhar
que o oriental valorize a busca de amthal no mundo e busque
orientar sua vida por provérbios, comparando e aprendendo a
sabedoria pela observação da natureza.
Não é de
estranhar também que, para a estreiteza do ocidental de hoje,
encerrado em seu mundo tecnologicamente domesticado, obcecado pelo
acessório, a observação da natureza tenha
deixado de ser interessante e já não lhe diga mais
nada: para ele, falam mais alto o culto à eficiência e
ruídos eletrônicos dos diversos artefatos de que se
cercou. E a sabedoria, também esquecida, encontra seu Ersatz também na técnica de especialistas:
terapêutas e analistas.
Neste mundo, é
impensável uma experiência, comum no Oriente, como a
narrada por Feghali ([34]):
as saborosíssimas reuniões familiares, ao pé do
fogo, repassando, por horas a fio, centenas de provérbios. Um
jogo em que cada participante enuncia um provérbio, cuja
formulação deve se iniciar pela última letra do
provérbio anterior...
Hoje, tristemente, a
influência ocidental no Oriente não se limita à
implantação do consumo de agasalhos esportivos ou
tênis: a dominação cultural tem levado
também a um profundo desenraizamento do povo. E causa
apreensão o implacável registro de Freyha, em 1974, ao
prefaciar os mais de quatro mil provérbios árabes que
recolheu: "Antes que eles desapareçam, o que deve ocorrer na
próxima geração..." ([35]).
[1].
O oposto do pensamento confundente oriental, de que tratamos
no capítulo anterior.
[2].
De-finir - etimologicamente ligado a dare-finem, de-limitar,
de-terminar - é tarefa bem adequada ao sistema logos (embora nem sempre seja realizável com a precisão que
esse sistema pretende ter). Imprecisa e misteriosa é,
também, a origem dos provérbios. Como observa Freyha: "The origin of proverbs is obscure.
It is difficult to trace a proverb back to the first person who
coined it, for a proverb, like a folk epic or a ballad, may be work
of many" (op. cit. p. X). E conclui lembrando que, mesmo o
clássico dos provérbios árabes, Al-Maydani
(séc. V da Hégira), já considerava este problema
extremamente difícil...
[3].
STEINBERG, Martha "Provérbios e tradução". TradTerm São Paulo, FFLCHUSP, n. 2, 1995, p.
59.
[4].
Procurando distingui-lo de adágios, ditados, anexins,
refrões etc.
[5].
O primeiro significado está em mithl: "como", "tal
como".
[6].
No criterioso dicionário de Hans Wehr - A Dictionary of
Modern Writen Arabic, Wiesbaden, Harrassowitz, 1961 - os
significados do radical M-Th-L estendem-se, ocupando quase três
páginas completas!
[7].
Especialmente neste tópico, cito pela BJE. Veja-se - a
propósito das relações enre prudentia e amthal no Velho Testamento - o Apêndice
7.
[8].
Para as citações bíblicas em árabe,
seguirei Al-Kitab al-muqadas, Dar al-Kitab al-muqadas fy
ash-sharq al-awsat, 1986.
[9].
Encontra-se uma seleção de sentenças
"proverbiais" do Alcorão, traduzidas e apresentadas por Aida
R. Hanania, em "Algazali - Máximas de sabedoria" in Oriente
e Ocidente: Sentenças de Sabedoria...
[10].
São eles: 02, 113: Algo semelhante dizem aqueles que
ignoram...; 02, 118 Seus corações são semelhantes...; 02, 228 Elas têm direitos semelhantes a suas obrigações...; 02, 233 Um
dever semelhante obriga...; 02, 275 Por dizer que o
comércio é como a usura...; 03, 073 Uma
revelação como a que se deu a vós...; 04,
011 Que a porção do varão seja como a de
duas mulheres...; 04, 176 Que a porção do varão
seja como a de duas mulheres...; 05, 031 "Ai de mim que
não sou capaz de fazer como esse corvo e cavar a
terra..."; 05, 095 Oferecerá como compensação...; 06, 093 Como aquele que diz...;
06, 124 Até que se nos dê tanto como aos enviados
de Allah...; 08, 031 Se quiséssemos, diríamos algo parecido...; 10, 102 Dias como os dos antepassados...;
11, 089 Os mesmos males...; 23, 081 Dizem o mesmo que
disseram os antigos...; 28, 048 Por que não nos é dado
o mesmo que a Moisés?...; 28, 079 Se nos fosse dado o mesmo que a Coré...; 35, 014 E ninguém te
informará como o Bem-Informado...; 40, 030 Algo semelhante ao que ocorreu...; 40, 031 Como ocorreu ao
povo de Noé...; 41, 013 Previno-vos contra um raio como o dos aditas...; 51, 023 É tão verdade como que
falais...; 51, 059 Os ímpios terão sorte semelhante à que...; 60, 011 Dai-lhes outro
tanto do que tenham gastado...
[11].
02, 137; 02, 194; 16, 126; 17, 088; 22, 060.
[12].
Sempre na frase "é mortal como vós/nós",
respectivamente em: 14, 011; 18, 110; 21, 003; 33, 024; 33, 033; 33,
034; 41, 006 e 11, 027; 14, 010; 23, 047; 26, 154; 26, 186 e 36,
015.
[13].
"Como ele" e "como ela", respectivamente em: 02, 023; 03, 140; 06,
122; 07, 169; 10, 038; 11, 013; 13, 017; 20, 058; 36, 042; 46, 010;
52, 034 e 02, 106; 06, 160; 40, 040; 42, 040; 89, 008.
[15].
06, 038; 07, 194; 47, 038; 56, 061.
[18]. Mithlayha, mithlayhum, kamithlhu, kamthal, almuthla e limithli em 03, 165; 03, 013; 42, 011; 56, 023; 20, 063 e 37, 061
[19].
Em 17, 089 Neste Qur`an, expusemos aos homens todo tipo
de exemplos (kulli mathalin). Mas a maioria dos homens quer
ser infiel; 18, 054 Neste Qur`an, expusemos aos homens
todo tipo de exemplos (kulli mathalin). Mas o homem é,
de todos os seres, o mais discutidor e 30, 058 Neste Qur`an, expusemos aos homens todo tipo de exemplos (kulli
mathalin). Mas...
[20].
Retomo e desenvolvo aqui considerações originalmente
apresentadas em meu livro Oriente e Ocidente: Provérbios
Árabes..., 52 e ss.
[21].
Só o conhecimento autoriza a elaborar amthal:
"Não ponhais Allah como objeto de vossas
comparações (al-amthal)! Allah sabe e vós
não sabeis" (16, 074).
[22].
Por exemplo em 30, 028: "(Allah) propõe figuradamente
(mathalan): E assim explicamos detalhadamente os
sinais/versículos aos que raciocinam".
[23].
Por exemplo, em 74, 031, reitera-se: "Para que os infiéis
digam: `Que é o que Allah pretende ao propor figuradamente
(mathalan)?'"
[24].
Na verdade, não chega a ser fenômeno totalmente
surpreendente na língua árabe que a mesma palavra tenha
sentidos opostos: al-jawn pode significar branco ou preto; al-jalal, grande ou pequeno; al-bayn,
ligação ou separação; ar-raja`, desejo ou
medo (Devo esta nota ao Prof. Dr. Helmi M. I. Nasr).
[25].
Nos quatro próximos parágrafos, resumirei as
análises do cap. I da 2a. ed. de Johannes Pinsk, Schritte zur Mitte, Paulus Verlag. Recklinghausen, 1957)
(trad. cast. Hacia el Centro, Madrid, Rialp, 1966).
[26].
Já no começo da Suma Teológica:
I,1,9.
[27].
E em III,42,3, dirá que, mesmo para aqueles, a quem as
parábolas permaneciam veladas - porque não eram dignos
ou capazes de apreendê-las em seu sentido profundo -, "melhor
lhes era receber esses ensinamentos velados, do que ficar totalmente
privados deles".
[28].
Este tópico reproduz - com ligeiras alterações -
o estudo que se encontra em LAUAND, L. J. Provérbios
Árabes..., pp. 54-56.
[29].
Para este tema, veja-se o tópico 3 ("Razão,
Natureza e Medida") do Apêndice.
[30].
Para o tema dos ayat, sinais, veja-se o cap. 4 de HANANIA,
Aida R. A Caligrafia como Expressão Cultural - A Arte de
Hassan Massoudy, tese de Livre-Docência, FFLCH-USP,
1995,
[31].
Numa carta a uma comunidade ocidental (I Cor 1, 22), o
apóstolo Paulo faz o sugestivo registro do fato de que os
semitas pedem sinais (ayat) e os gregos pedem
argumentação de sabedoria (sophia)...
[32].
Veja-se, a propósito, o estudo de Helmi Nasr: "A
Contingência na Khutbah de Qus Ibn Sa'ida" in Oriente
e Ocidente: Filosofia e Arte...
[33].
SARTRE, Jean-Paul "O Existencialismo é um Humanismo" in Os
Pensadores vol. XLV (Sartre-Heidegger). São
Paulo, Abril, 1973, p. 17.
[34]. FEGHALI, Michel Proverbes et Dictons..., p. XI.
[35].
FREYHA, Anis A Dictionnary...
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